17/06/1904

Nesta manhã celebrei a Eucaristia sobre o túmulo do bem-aventurado Paulo Burali, meu glorioso antecessor na cátedra de Placência, unido em espírito aos meus caros filhos que celebram em Placência a sua festa. Experimento um sentimento de feliz e intensa segurança. Parece-me de escutar a sua voz: "Vá para onde Deus o chama, eu o substituirei neste breve período de tempo no cuidado do povo, que já foi meu...

Às 16 estou a bordo. Às 17 saúdo o meu irmão Ângelo e o meu secretário e um tenta esconder mais que o outro a emoção do adeus e nos separamos como homens fortes. Entro na cabina que me foi reservada, a mais bonita, para descansar as coisas e os pensamentos. Às 18 fomos almoçar. É sexta-feira e quase todos fazem jejum. Somos um grupo de pessoas oriundas de várias nações, com muitas diferenças, mas também com muito respeito.

Tenho perto de mim um coronel brasileiro, um certo Alberto Gracia, que irradia alegria quando o convido a falar em português, e assim começo a usar minha pequena bagagem linguística.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

18/06/1904

Passou a noite quente. Às 6:30 celebro a Eucaristia e distribuo a comunhão para algumas pessoas. Mantenho o meu horário de casa: às 10 café, depois uma hora de conversação em português com o senhor Gracia, que me parece sempre mais um homem de vasta cultura. Às 17, almoço...

De saúde estou ótimo: a bênção do Santo Padre e a lembrança da sua sublime simplicidade, da soberana bondade, docemente me comove e me sustenta. Que Deus o conserve por muitos anos, para que possa completar a obra que tanto se propõe, de restaurar todas as coisas em Jesus Cristo! O nosso augusto Pastor, Pio X, me prometeu de me enviar todo o dia uma bênção especial e de recordar-se de mim na Santa Missa. Eu o imito e abençoo de coração a vós, o Pe. Francisco, o Seminário, o Capítulo, os párocos, os coadjutores, as comunidades e todo o meu povo.

Tenho debaixo dos olhos o cordial telegrama que me enviou o Reitor Cardinali e aquele do Padre de Rivergaro, anunciando um tríduo a meu favor à Nossa Senhora das Graças naquele querido santuário. A eles e a todos aqueles que rezam por mim — que Deus retribua e derrame sobre eles todo o bem.

Adeus: rezemos sempre um pelo outro.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

19/06/1904

É domingo. Pode-se dizer que hoje iniciou a nossa missão. O navio parece um mosteiro. Celebro uma Missa meio pontifical, e falo comovido aos 500 passageiros que também se comovem. O Evangelho se prestava bem. O Mestre divino que evangelizava as multidões a partir da barca e eu a partir da lona que cobria o navio, no meio do mar: o "avance para águas mais profundas" de Jesus Cristo me inspirava bonitas mensagens. Também sem o ser, a gente se torna eloquente. Muitas pessoas se aproximam da mesa sagrada. É um espetáculo do paraíso.

Às 15 horas, catequese para os adultos e para as crianças: inscrevemos aqueles que daqui a 15 dias farão a primeira comunhão e serão crismados. Para uns e outros haverá catequese quotidiana em vista de boa preparação. Se assim não fosse, quem sabe quando poderiam ter esta graça. Vou em frente com segurança, valendo-me das grandes faculdades que me concedeu o nosso glorioso Santo Padre.

Saúde excelente para todos, só o Pe. Pedrazzani pagou o seu tributo ao mar. Estamos no Golfo de Lião e é natural um pouco de movimento do mar. Vede, vos escrevo tudo com sinceridade. Adeus.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

20/06/1904

O mar continuou revolto toda a noite e ainda continua. Diversas pessoas sofrem do mal costumeiro. Eu, Carlo e os Missionários, ficamos incólumes. Celebro a Santa Missa sem grandes sacudidas, rodeado por um grande número de pessoas. Em todas as Missas, as pessoas comungam. É uma verdadeira consolação. Tudo isto é bonito, sublime. Deus seja louvado!

Sinto verdadeiramente o efeito da bênção do Santo Padre e das orações dos meus queridos placentinos e dos amigos' entre os quais, recordo O eminentíssimo Agliardi, que, abraçando-me dirigiu-me palavras muito carinhosas que não esquecerei nunca.

Estamos próximos às Ilhas Baleares, que ultrapassamos sem nos deter.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

21/06/1904

Festa de São Luís. Celebramos a Santa Missa e muitas pessoas comungam. O meu pensamento voa junto aos meus queridos seminaristas e sinto forte a tristeza de não estar com eles. Uno-me em espírito, implorando sobre todos e sobre cada um a abundância das graças do céu.

Continua a catequese das meninas e de suas mães que se reúnem ao redor das Irmãs que edificam a todos com seu comportamento piedoso e reservado; e dos jovens e dos adultos, feita pelos missionários. Estes jovens partiram de forma admirável. Que Deus os conserve sempre assim.

Hoje se levantou um nevoeiro enjoado. Estamos para entrar no famoso estreito de Gibraltar. O navio está quase parado, mantendo a sirene ligada para evitar possíveis e temíveis choques. O mar está movimentado, porém, não borrascoso.

Vamos ver 0 que acontecerá depois, Aquilo que Deus quiser. Passadas algumas horas a neblina desaparece, mas sopra o vento frio e o mar se faz violento. Apareceram as costas da Espanha. Passado o estreito de Gibraltar, costeamos a misteriosa África. Passo horas inteiras olhando, quase pregados os olhos por uma força superior, espreitando com tristeza oculta, aquelas terras outrora tão florescentes; penso na pujança da vida católica dos primeiros séculos do Cristianismo: nas igrejas tão célebres da província de Cartago, da Namíbia, de Bizâncio, nos grandes homens que as tornaram ilustres com o esplendor de suas virtudes apostólicas e pela sua doutrina: Cipriano, Agostinho, Fulgêncio, etc... nos Concílios, com a participação de até 270 bispos africanos; penso naquilo que foram, numa palavra, naquilo que são hoje, e dos lábios sai espontaneamente uma prece: iluminai os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e comovido até às lágrimas, eu pensava e dizia: Oh, por que nós padres não vamos evangelizar aqueles povos e espalhar com o nosso sangue a semente fecunda de cristãos? Adeus, chega assim, abraço-o e o bendigo. Saúde ótima.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

22/06/1904

O vento que se levantou ontem, tornou-se sempre mais frio e forte. Celebro hoje a Santa Missa, mas com dificuldade, invocando os IO mártires crucificados, nossos protetores. A embarcação luta fortemente contra as ondas e quase todos os passageiros sofrem de indisposição. Quatro dos nossos missionários estão doentes e também Carlo foi atingido, como eles, do mesmo mal. Eu, graças aos céus, estou muito bem. Oh! A bênção do Santo Padre e as orações dos meus bons placentinos! Que Deus glorifique o Augusto Pontífice e derrame os seus dons sobre quantos recordam o seu bispo distante, e nunca o esquecem.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

23/06/1904

O vento frio de ontem continua, mas menos chato. Celebro apesar do enjoado movimento do navio, distribuo a comunhão para várias pessoas. Hoje como ontem, devo resignar-me a ficar na cabina, com exceção das horas do café e do almoço, quando deverei encontrar o bom comandante Magnano, genovês, um verdadeiro lobo do mar; os dois bravos jovens médicos, um de bordo, e outro comissário real, e os outros amigos de ocasião, entre os quais o senhor Gracia, homem equilibrado de mente, de coração, de lábios. Saúde sempre muito boa. Graças a Deus!

Amanhã de manhã estaremos em Tenerife, onde nos deteremos por 3 ou 4 horas. Os que ontem estavam doentes, hoje estão bem. O Carlo está bem.

Dizem que depois de Tenerife teremos um mar sempre tranquilo. Queira Deus!

Saúde e bênção a você, ao padre Francesco, a todos.

Seu

+GIO. BATTISTA, BISPO

Sinto-me rodeado de carinho


 

Caríssimo Pe. Camillo,

Você pode imaginar com quanta alegria lhe escrevo! A embarcação dança e o mar o imita, mas também, além do pobre diário, que deverá corrigir, porque escrito às pressas e sem o reler, uma outra palavra é necessária.

Confesso que gozo de perfeita saúde, como e durmo muito bem e não sofri o menor mal-estar. Todos me rodeiam com intenso e carinhoso respeito e os dias passam rapidamente, quase sem perceber. Se não tivesse o pensamento de estar distante de você, dos amigos de casa, que estão inquietos pela minha partida, de Dom Francesco e de tanta gente boa do clero e dos leigos, poderia dizer em brasileiro: 'Eu estou muito contente porque Deus me deu dias bonitos como estes'. Você me tinha prevenido ao despedir-se sem chorar. Fiquei muito encorajado.

O resto está no Diário.

Muitas saudações a Mons. Vinati, Rossignoli, Dallepiane e a todo o Capítulo; a D. Lodovico, aos seus colegas, ao Seminário, e aos bons párocos que lhe pedem notícias minhas.

Amanhã festejaremos, a bordo, o meu São João Batista e será um dia de alegria espiritual.

O vento não me deixa escrever aquilo que quereria: um monte de coisas e de palavras cheias de alegria.

Adeus! Abençoo a você, ao padre Francesco e a todos.

No beijo santo

Todo seu em J.C. + Gio. Battista, Vesc.

(CARTA A PADRE CAMILIO)


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

24/06/1904

Chegamos a Tenerife pelas 4 horas. Às 5 celebro a Santa Missa, a bordo. À nossa frente está aquela cidadezinha com aproximadamente 20 mil habitantes, plantada aos pés do monte. É a capital da ilha de Santa Cruz, uma das Canárias, com 32 milhas de comprimento e 20 de largura. É uma linda ilha vulcânica, o seu clima é sempre o mesmo em todas as estações, produz toda espécie de frutas e de legumes, sua principal fonte de riqueza. Foi bispo deste grupo de ilhas o célebre teólogo Melchior Cano. De artístico não tem nada de nada.

Partimos às 14, envoltos por um sol esplendoroso, pelo vento frio e pelo mar que está sempre agitado. Recebi todo o tipo de saudações: muitas pessoas quiseram receber a comunhão das minhas mãos. Deus seja louvado!


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

25/06/1904

O mar continua agitado. Assim mesmo, celebro a Santa Missa cem grandes dificuldades. Os dois jovens missionários que adoeceram ontem, estão bem e puderam celebrar. Eu rezo, estudo e estou sempre bem. Carlo também floresce na calma e no doce fazer nada ou quase. No beijo santo.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

26/06/1904

Celebro a Missa debaixo do toldo, rodeado pela quase totalidade dos passageiros e distribuo a comunhão a um grupo deles. Faço, com grande alegria, a homilia depois da Missa. Noto que alguns estão comovidos até o pranto, talvez nunca tenham visto um bispo falar-lhes de tão perto. Continua a instrução catequética. Dentro de oito dias será a festa da primeira comunhão para uns vinte jovens, alguns dos quais beiram os 18 anos. Vou conferir também a Crisma a outros tantos. A maioria deles vai embrenhar-se no interior do Brasil e quando poderão encontrar-se com um bispo?

Todos gozamos de ótima saúde. Adeus: saudações carinhosas a todos.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

27/06/1904

O mar está tranquilo e todos gozam de boa saúde. A atmosfera, até agora quase fria, vai aquecendo-se à medida que nos aproximamos do Equador. No convés, fica-se muito bem, mas a cabina parece uma cozinha. Para mim tudo corre da melhor maneira possível.

No beijo santo: abençoo e saúdo a todos com grande efusão, podeis imaginar.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

28/06/1904

Estamos perto do Equador e o calor aumenta. O mar está carrancudo e agitado e parte dos passageiros sofrem de enjoo. Eu celebro a Santa Missa e vou em frente alegremente sadio e tranquilo.

Hoje se faz jejum devido à vigília e, bispo, padres, irmãs e diversos bons cristãos, almoçamos às 12 horas, jejuando, claro.

Amanhã festejaremos os santos Apóstolos Pedro e Paulo da melhor maneira possível e distribuirei a santa comunhão. As pessoas se confessam um pouco com todos. Abraço a você e o abençoo, abraço e abençoo o nosso querido Padre Francesco.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

29/06/1904

Celebro a Missa confortavelmente, na cobertura, num ambiente muito bem-preparado. As bandeiras de todas as nações foram colocadas ao redor. Entre elas, há uma amarela que ocupa o primeiro lugar. Que seja aquela da Igreja? Penso que sim. O fato me enche a alma de alegria. São os povos que   prestam homenagem a Jesus Cristo, seu rei e soberano. Comovido, celebro a Santa Missa, distribuo a comunhão e falo da solenidade. Quando lembro que Pedro vive no seu sucessor, Pio X, que envia cada dia a mim e a todos uma bênção especial, é algo de emocionante e indescritível. E para mim de modo particular, é aquela paterna bênção, que recebo de joelhos toda manhã na cabina, recordando as inesquecíveis palavras do santo Padre, que infunde em mim uma grande e perfeita segurança, sentimento que não experimentei na outra viagem.

O calor incomoda e suamos de dia e mais ainda de noite. Parece que estamos num forno. Estamos na região das chamadas calmarias equatoriais; outrora era chamada a região das tempestades. Assim quero passar-lhe uma ideia de como estamos. Mas para mim, a saúde está excelente.

Depois de amanhã ultrapassaremos o Equador, indo na direção do inverno. O calor se abrandará. Seja o que Deus quiser.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

30/06/1904

Como ontem, também hoje o tempo está horrível: calmaria equatorial e trombas d'água indescritíveis e contínuas. Estão quase todos adoentados, mas eu, teimo em estar bem. É Deus que, apesar da minha falta de méritos, cuida amorosamente de mim. Estou aqui por sua causa, e por Ele cumprirei o programa que me inspirou, e se for de sua vontade, regressarei pelo dia de Todos os Santos para junto dos meus filhos queridos. Adeus: oremos para que Deus e Senhor nosso se digne conceder a chegada aos navegantes.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

01/07/1904

12 horas. Deixamos neste momento a região das calmarias e das tempestades equatoriais e encontramos um vento frio, que varre as nuvens e a todos nos alegra com os raios amigos do sol. O mar, porém, continua sempre mais violento e agitado e precisamos ter paciência e ficar sentados. Quanto ao resto, tudo está bem!

O vento continua. Celebro a Santa Missa enfrentando as sacudidas do navio, mas sou ajudado, como sempre, por dois dos nossos missionários.

Às 10, um pobre marinheiro teve a triste surpresa de receber na cabeça uma barra de ferro. Foi internado no hospital com a cabeça enfaixada. Fui visitá-lo, confessou-se como pode, pois falava com dificuldade. Há esperança de salvá-lo. Deus queira!

15 horas. Estoura uma briga furiosa entre um italiano e alguns árabes, colocando em sobressalto toda a tripulação. Uns gritam, outros fogem, as mulheres choram, um verdadeiro pandemónio, que, graças a Deus, termina sem consequências maiores. Os dois chefões são colocados na prisão e então tudo volta à tranquilidade habitual.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

02/07/1904

O tempo está feio: sacudidas violentas, inclusive durante a Santa Missa. Um missionário segura firme o cálice, outro o missal e dois o altar. Eu procuro equilibrar-me da melhor forma possível. É a festa da Visitação tão estreitamente ligada ao meu São João Batista e quis celebrar nas minhas intenções e dos meus queridos placentinos. Separados fisicamente, sinto mais viva a necessidade de ficar espiritualmente unido a eles. Daí a emoção que me toma quando rezo pelo meu amado povo.

A saúde está sempre excelente para mim e para todos. Adeus.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

03/07/1904

Noite horrível: o mar ruge, o vento redobra a sua força; tudo está em desordem. A maior parte dos passageiros fica acordada: eu entro na cabina às 21:30 e às 22 consigo adormecer de qualquer maneira. É mesmo a hora de dizê-lo e de repeti-lo: em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. De quando em vez me acordo em sobressalto, mas acabo repousando até às 5. Com muita dificuldade celebro e distribuo a Ia comunhão a uma quinzena ou mais de jovens e adultos. Falando, mantenho-me colado com uma mão ao altar, com a outra a uma grade de ferro, que me aguenta bastante bem.

O vento continua: muitos caem doentes: só dois missionários conseguem celebrar. Eu teimo, apesar desses dissabores, em estar sempre bem.

Você, o padre Francesco e todos rezem ao glorioso Santo Antonino por mim. Adeus.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

04/07/1904

Festa de Santo Antonino! Que dia! O que devia ser e o que é na realidade. Que tristeza não poder estar entre os meus filhos! Mas, paciência! Deixemos os santos, mesmo os mais queridos, por Deus! Celebro a Santa Missa com muita dificuldade, mas com grande alegria. O tempo continua ruim, o vento sopra forte, o mar brame e o pobre navio luta valentemente contra as ondas. Contudo não há nenhum perigo. Passamos o tempo sentados, movidos como num balanço, mas a minha saúde, graças a Deus está sempre ótima. Saudações e bênçãos a todos.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

05/07/1904

O tempo melhorou, mas ainda não está bonito. Estamos há dois dias em pleno inverno. Às 17:30 anoitece, e o sol se levanta às 7, mais ou menos, quando aparece. Celebro e administro o Sacramento da Crisma a uns vinte jovens, mas com muito sacrifício. De saúde, muito bem: Deus seja louvado e agradecido.


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

06/07/1904

O nosso amigo vento quer mesmo nos acompanhar até Rio de Janeiro, onde desembarcaremos amanhã de manhã, pelas nove horas. Chegaremos ao porto durante a noite. A primeira parte do programa está felizmente chegando ao fim. Agradeçamos juntos a Deus e a Virgem Imaculada pelo bem que foi feito e pela assistência que me dispensou. Comovido, levanto o coração ao seu trono e digo um grande e cordial muito obrigado, para expressar tantos agradecimentos e tanto louvor. Com tristeza, abandono estes papéis' eles me davam uma momentânea ilusão de estar em Placência, no meu escritório de estudo, em nosso jardim, falando familiarmente com você, com o padre Francesco, sentado por terra, jogando pedrinhas, exatamente como fazem as crianças inocentes. Mas aqui na terra tudo termina, inclusive a inocente ilusão de estar em casa, apesar de estar longe 12 mil quilómetros. Dentro das possibilidades, apressarei mais que puder o meu regresso. Faça-se sempre e em tudo a vontade de Deus. Amém, assim seja, como dizem os brasileiros.

Abraço-o com o reconhecido carinho e abraço também o querido Padre Francesco. Dê saudações cordiais aos Monsenhores Vinati, Rossignoli, Dallepiane, Scrivani, Possi e a todos os Cónegos em meu nome. Não esqueça os meus Agareni. Aos bons e responsáveis Corvi, Busi, a todos os outros cordiais saudações. Ao reitor do Seminário, aos professores, aos clérigos, desejo que sejam abençoados e muitas coisas bonitas. Não esqueça a Guerra, Marchesi, Volpelandi, Tedeschi e a quantos pedem notícias minhas.

Mons. Roncovieri, não se esqueça de mim quando celebra em Santo Antonino.

Gostaria continuar, mas o vento é mais forte que eu. Portanto, adeus, no beijo santo. Oremos uns pelos outros. Adeus.

Todo seu em Cristo Jesus

+GIO. BASTTISTA VESC. DE PLACÊNCIA


* Capítulo II do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

07/07/1904

07/07/1904, Quinta-feira: Chegada ao Rio de Janeiro.

Uma linda cidade e uma acolhida cordial
Estimado D. Camillo,
Desembarquei para admirar a belíssima cidade do Rio de Janeiro, com seu grande porto, único no mundo. Imaginem um braço de mar cheio de pequenas ilhas e cercado por três lados de montes mais ou menos altos, e mesmo agora, no coração do inverno, todos verdejantes, tomados por casas e palácios e assim terão uma pálida idéia da realidade. O Arcebispo do Rio de Janeiro recebeu-me com a cordialidade de um velho amigo e quis acompanhar-me quando retornei ao navio. Pareceu-me um homem talentoso e de boas idéias. É muito amado e estimado no Rio. Ele, porém, tem saudade de sua São Paulo, onde foi bispo por diversos anos e onde realizou tantas coisas bonitas.
Tínhamos combinado de tomar o trem daqui para São Paulo, porém, são 16 horas de viagem desagradável, por isso nos aconselharam a seguir de navio até Santos e depois alcançar São Paulo com três horas de trem. Eu aceitei a sugestão amiga, por isso é que me encontro ainda aqui. Partindo do Rio às 18
horas de hoje, estaremos em Santos amanhã de manhã às 7 horas, e às 11 horas tomarei o trem e às 14 chegarei em São Paulo. De lá lhe escreverei.
Os jornais do Rio, sempre iguais por tudo, há dois dias anunciavam que o "Cida-de de Gênova" chegaria no dia 12, porém chegou hoje cedo. O fato atrapalhou os planos de todos. Não tem problema, o importante é que todos estamos bem e felizes e que, com a ajuda de Deus, poderemos fazer algo de bom. Falei a este Arcebispo da necessidade da assistência ao porto e de uma igreja italiana na cidade e ele se mostroumuito favorável. Escrever-lhe-ei de São Paulo e, se Deus quiser, conseguiremos algo. Quem começa bem, já fez a metade da obra.
Saudações a todos: a D. Francesco, milhares de cordiais saudações. A D.
Faustino saudações carinhosas, mas também o pedido para que termine, até o meu retorno, a sistematização do arquivo.
A M. Pinazzi todas as bênçãos.
Adeus. Abraço-o carinhosamente: ore por mim.
Todo seu

+GIO.BATTISTA, BISPO DE PLACÊNCIA

(CARTA A PADRE CAMILLO, RIO DE JANEIRO, 7/7/1904, 18 HORAS)


* Capítulo III do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

09/07/1904

09/07/1904, Sábado: Chegada a SP – Discurso de agradecimento pela acolhida.

(Scalabrini saúda, em português, as autoridades ao chegar em S. Paulo)

"A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!" É a antiga saudação apostólica, é a saudação que eu vos trago, meus queridos irmãos.

A vossa amável acolhida, enche-me o coração de viva alegria, pois não é à minha humilde pessoa que dirigis as vossas homenagens, mas a Jesus Cristo, o Redentor de nossas almas, a quem o bispo representa onde quer que esteja, até mesmo fora da sua Diocese. Agradecido pois, agradecido do fundo da minha alma, e agradecido sobretudo ao Excelentíssimo Senhor Bispo, que com suas virtudes honra a Igreja.

Não sei como expressar-vos, ó meus irmãos, a emoção que senti ao desembarcar nesse vosso país. Aqui, se Deus vos ajudar, achar-se-á até certo ponto o porvir da humanidade e da Igreja. Aquele misterioso vínculo que une os corações dos povos de uma raça, eu sinto-o aqui, no vosso Brasil, aqui onde o sangue latino corre nas vossas veias, aqui onde virão as várias nações para povoar estes imensos territórios, e assim o povo brasileiro será um dos primeiros povos do mundo. Mas para isso se requer união dos corações e esta a encontrareis na fé dos vossos pais, na fé católica.

A fé, fortaleza dos mártires, luz dos humildes, sabedoria dos doutores, unção dos sacerdotes, candor das virgens, consoladora dos aflitos, mestra universal, contínua aqui com maternal carinho a sua missão inovadora e fará sem dúvida, ditoso o vosso grande país.

Eis o meu voto, o meu ardente desejo.

(Saudação de Scalabrini, S. Paulo, 9/7/1904)


* Capítulo IV do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

10/07/1904

10/07/1904, Domingo:

“Ontem (domingo 10/07/04) muitos se reuniram aqui (no Orfanato Cristóvão Colombo - Ipiranga) para agradecer a santa casa” – Celebração de ação de graças com Dom Scalabrini.

Visita ao Bispo Dom José Camargo de Barros, Bispo Diocesano de São Paulo, para retribuir a acolhida.

11/07/1904

11/07/1904, Segunda-feira:

Dom Scalabrini, hospedado no Orfanato Cristóvão Colombo, escreve uma carta ao seu secretário Pe. Camilo Mangot.

Meu estimado, padre Camillo,

Olhando os dois quadros superpostos, você vai descobrir de onde estou lhe escrevendo. Cheguei a São Paulo no dia 9, sábado passado, às 11:30. A banda dos nossos órfãos veio ao meu encontro 5 milhas antes da entrada em São Paulo e subiu ao trem que tinha sido colocado gratuitamente à minha disposiçāo. Na estação estavam: a banda do Instituto Salesiano, o bispo, o Capítulo, os párocos, os salesianos, os capuchinhos, os beneditinos, os agostinianos, as autoridades civis e grande multidão de povo: uma acolhida solene. O encontro com o bispo, um digno prelado, chegado a São Paulo há apenas dois meses, foi cordialismo, superando qualquer expectativa. Trajava o hábito de gala como se tivesse que receber o papa. Ficando a nossa casa fora da cidade, fomos ao mosteiro de São Bento, onde almoçamos, o bispo, eu, o Cônsul geral e as demais autoridades. Às 16 horas, em carroça especial, fui trazido para cá. Aqui também se repetiram os rojões, cantos e fogos de artifício, os arcos verdejantes iluminados, debaixo dos quais tinha que passar. Tudo muito bonito.

Ontem fui à cidade para retribuir a visita ao senhor bispo, com quem combinamos tantas e belas coisas a favor dos migrantes. Para uma população de pouco mais de dois milhões de habitantes, mais da metade é italiana. A Diocese compreende todo o Estado de São Paulo, com a extensão duas vezes e meia a Itália e com capacidade de acolher 100 milhões de pessoas. É um país esplêndido, mesmo nesta época em que estamos no coração do inverno, tudo está verdejante e florido. Que grandiosidade de árvores! Que esplendor de flores de todo o tipo e cor! Dir-se-ia, numa palavra, que o paraíso terrestre devia e podia ser este.

Os nossos ótimos missionários gozam aqui de grande estima e veneração por parte de todas as classes, do clero e do laicado. Os dois Orfanatos são verdadeiramente dignos de admiração. Estes 260 órfãos edificam pela bondade, piedade e educação. Ontem eles fizeram uma singela apresentação. Uma menina de 12 anos narrou um conto. Tinha visto morrer, primeiro a mãe e depois o pai; lembrou, comovida, as suas lágrimas de outrora, a miséria que se abatera sobre ela que tinha 9 anos e sobre um irmãozinho de dois. Tinha passado fome e a amargura de serem enxotados e por fim o encontro no caminho, com o Pe. Marco, que tomou no colo o menino e deu a mão para ela e os levou ao Orfanato, a sua gratidão, etc... mas a menina não conseguiu terminar. Desatou, num pranto tão profundo que a todos nos obrigou a enxugar os olhos molhados de lágrimas.

Destas duas casas já saíram 810 jovens educados e colocados numa profissão. Ontem muitos se reuniram aqui para agradecer a santa casa, como a chamam eles, que os salvou do naufrágio espiritual, religioso e moral. Deveras merece este título. Os Missionários seguem a Regra da casa mãe e tudo vai para frente para minha verdadeira satisfação e grande consolo.

Hoje conferi as contas: foram gastos nos dois grandes prédios 980 mil liras e não há um centavo de dívida. É um milagre da bondosa Providência de Deus. De fato, sustentar 300 pessoas, incluindo missionários, Irmãs, professores de arte e de oficinas sem afundar em dívidas, não é uma coisa maravilhosa? Deus seja mil vezes louvado!

A minha saúde está uma flor e sinto-me com tanta saúde como há muito tempo não tinha, ou, pelo menos não sabia ter. Também Carlo está muito bem e não pára de louvar por aquilo que pode ver nesta casa do Senhor.

Porém, devemos chegar às saudações porque a carta está chegando ao fim.

Saúda a todos, ao Capítulo, aos Agareni e entre os primeiros ao Pe. Francesco e ao Pe. Domenico.

Reze e faça rezar para que com paz, saúde e alegria possa voltar às minhas ocupações. Adeus. No ósculo santo, rezemos diariamente uns pelos outros.

Saudações cordiais ao Carlo e a todos.

Seu

+GIO. BASTTISTA,  V. DE PLACÊNCIA

(CARTA DE SCALABRINI AO PADRE CAMILLO - SÃO PAULO, 11/7/1904)


* Capítulo IV do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

12/07/1904

12/07/1904, Terça-feira:

Conforme os jornais, Dom Scalabrini recebe, às 3 horas da tarde, “sua Excelência Rev.ma, Dom José de Camargo Barros, estimado bispo de São Paulo”. No Orfanato Cristóvão Colombo, no Ipiranga, para retribuir a visita à Sua Excelência Dom Scalabrini, bispo de Placência.

Ontem às 3 horas da tarde sua Excelência Rev.ma, Dom José de Camargo Barros, estimado bispo de São Paulo, foi ao Orfanato Cristóvão Colombo do Ipiranga para retribuir a visita à Sua Excelência Dom Scalabrini, bispo de Placência.

Recebido pelo Ex.mo e pelos reverendos padres Missionários de São Carlos com toda a solenidade de estilo, os dois eminentes prelados ficaram por mais de uma hora num encontro reservado, depois do qual manifestaram as respectivas satisfações e os agradecimentos.

Foram na ocasião tiradas as fotografias das duas seções do Orfanato com a presença em ambas dos dois bispos.

Sua Excelência Dom José mostrou-se comovido e satisfeito dos atos de estima e de alta consideração de que foi alvo a sua estimada pessoa pelo velho prelado italiano, e este por sua parte, manifestou toda a gratidão pelas cortesias que recebeu desde a sua chegada em São Paulo, por parte do clero e das demais altas pessoas católicas da sociedade paulistana. Disse que esta grande Diocese está bem protegida nas mãos de Dom José de Camargo que, certamente dará à Diocese aquele progresso católico que merece.


Fonte: Correio Paulistano, publicado em 13/7/1904.

14/07/1904

14/07/04, Quinta-feira:  Decisão de acolher a Paróquia São Bernardo.

Caríssimo D. Camillo,

Ainda duas palavras para explicar e completar as notícias que já lhe enviei. Aqui estamos no coração do inverno, mas eu não sinto nem necessidade e nem desejo de fogo. De manhã, antes do levantar do sol e à noite depois do por do sol, temos o nosso tempo de maio; durante o dia aquele de junho, quando faz calor. O sol aquece como em julho e agosto na Itália. Ontem experimentei o calor subindo a colina da Vila Prudente, onde se levanta o novo orfanato, que vamos inaugurar dentro do mês. É uma coisa magnífica e que traz orgulho à nossa Congregação.

Acenei numa outra carta que estava combinando coisas muito úteis com este piedoso e dinâmico bispo. Eis quanto combinamos de fazer:

a) Recolher os surdos-mudos, meninos e meninas, iniciando assim esta nova missão

Uma vez lida esta minha carta, irá à superiora geral das Apóstolas, irmã Marcelina e lhe dirá em meu nome que tenha disponíveis duas irmãs, que foram preparadas pela irmã Cândida, para vir aqui ao primeiro sinal. As despesas, claro, ficarão a cargo desta casa. É esta uma instituição de grande importância, verdadeiramente nova para estes Estados tão vastos, que fará orgulho aos nossos missionários e será uma lembrança perene da minha vinda aqui. Tome a peito o projeto e fale logo com a superiora. O bispo aceitou a proposta com verdadeiro entusiasmo e entendeu logo o alcance moral.

Amanhã falarei ao Governador do Estado e espero dele alguma ajuda. Por enquanto vamos iniciar no local que será deixado pelas órfãs e pelas irmãs que irão para Vila Prudente. O bispo me prometeu apoio moral e também material, na medida do possível. Se conseguir apenas esta obra de recupera-ção, poderei considerar-me satisfeito pela minha longa viagem.

b) Conceder aos Missionários a paróquia de São Bernardo, onde estão localizados os nossos estabelecimentos. Ela conta com quase 40 mil pessoas e se estende de São Paulo a Santos, isto é, até o mar, com 80 milhas de comprimento. Foi um pensamento gentil do bispo entregá-la aos nossos Missionários, por quem nutre grande estima e afeto, e garantir também cinco ou seis mil liras anuais de renda e levar em frente os gravíssimos compromissos. A paróquia é quase toda composta de italianos.

c) Abrir, tão logo seja possível, duas residências no interior do Estado para assistência dos italianos que trabalham nas fazendas. Destas, mais de duas mil já foram visitadas, com muito sacrifício, pelos nossos Missionários do Orfanato.

Neste Estado e Diocese moram um milhão e duzentos mil italianos. Estruturar bem as coisas é muito importante, porque se encontra aqui o maior grupo italiano da América do Sul.

Se na casa mãe houvesse padres preparados, poderiam partir com as irmãs. Diga ao jovem padre Morelli que aqui as coisas são apropriadas para ele e que poderia curar-se perfeitamente da sua doença, como a curou o padre Faustino.

Eu estou sempre muito bem e desde o dia da partida até hoje não tive nenhum daqueles pequenos mal-estares tão comuns e tão freqüentes. É Deus que escuta as orações de tanta gente boa. Também Carlo está bem.

Vivo em meio à homenagens. Estes brasileiros são humildes, gentis, agradecidos, caridosos e sustentam com cuidado as nossas obras. Aqui há 300 pessoas para sustentar e são mantidas pela caridade deles. Deus os abençoe e envie prosperidade.

Esperava encontrar uma carta sua aqui, mas fico alegre por sentir-me mais diligente de você e do Padre Francesco. Abraço os dois e os abenção.

Saudações cordiais a todos. Oremos uns pelos outros.

Vosso em J.C.

+GIO. BASTTISTA VESC. DE PLACÊNCIA

(CARTA DE SCALABRINI AO PADRE CAMILLO - SÃO PAULO, 14/7/1904


* Capítulo IV do livro “Bem-aventurado João Batista Scalabrini – Centenário de sua visita ao Brasil e à Argentina” – Pe. Gelmino Costa (Organizador). Loyola, 2004. 

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