Todas as etapas formativas até a abertura deste seminário realizavam-se no Rio Grande do Sul, no Seminário São Carlos de Guaporé. De modo que 1954 marca uma nova etapa, ao serem transferidos para São Paulo os estudantes. Nesse mesmo ano, em 04 de fevereiro, foi canonicamente erigido pelo Cardeal Prefeito o “Colégio Filosófico da Pia Sociedade dos Missionários de São Carlos na cidade de São Paulo”. No dia 23 de fevereiro chegaram os estudantes provenientes do Sul, 17 ao todos; voaram em um avião de carga, acompanhados pelos formadores. A data da inauguração fora programada para o dia 07 de março, porém ocorreu efetivamente na segunda-feira, 08 de março. Permanece, porém, como data oficial o dia de Santo Tomás de Aquino.
O religioso responsável pelo novo seminário foi o Pe. Isidoro Bizzotto, que, na época, era o diretor do Instituto Cristóvão Colombo. Como ainda não fora decidido o lugar da construção, o primeiro grupo foi hospedado no terceiro andar do antigo orfanato. O primeiro formador escolhido foi o Pe. Romano Bevilacqua e, diretor espiritual, o Pe. Pedro Zamberlan. As aulas aconteciam dentro de casa; entre os professores estavam os padres Aurélio Prevedello, Comercindo Dalla Costa, Girolamo Angeli.
Embora o nome do seminário fosse Colégio Filosófico, na verdade se tratava de três anos de um curso integrado, colegial e filosofia. Nesse formato inicial, o curso durou quatro anos. Depois houve a necessidade de separar o colegial da filosofia. Essa exigência teria partido da própria Santa Sé, que pedia, na Constituição Apostólica “Sedes Sapientiae”, uma reforma geral dos sistemas de estudos de formação para o sacerdócio.
Mas, além do colegial e da filosofia, a Congregação pretendia trazer também a Teologia para São Paulo. Em 1962, chegaram de Guaporé os estudantes de teologia, nove ao todo. Em 1958 estava tudo certo para a construção do novo prédio, que foi inaugurado, finalmente, no dia 29 de junho de1962, com a bênção do Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Arcebispo de São Paulo. A partir de então, o seminário assumiu seu nome atual: “Seminário Maior João XXIII”.
A comunidade fez a sua mudança para o novo prédio, deixando as dependências do Instituto Cristóvão Colombo, após oito anos, em 04 de julho de 1962. Assim, o João XXIII sempre esteve repleto de estudantes, mantendo cerca de 50 e chegando, inclusive, em alguns anos, a 60 estudantes. Era a época do Concílio e do pós-Concílio. Em 1965 e 1966 nasceram iniciativas na comunidade, como o trabalho pastoral desenvolvido por alguns religiosos estudantes com as pessoas que moravam nas favelas, a maioria era migrante interno, gestos que certamente marcaram uma época. Na década de 1970, essas ações proféticas chegaram às periferias de São Paulo, como Grajaú, Vergueiro etc.
Em 1968, a Congregação decidiu pelo retorno ao Rio Grande do Sul do curso do Colegial, permanecendo a Filosofia e a Teologia em São Paulo. Um fato importante ocorreu em 1974, nos meses de outubro e novembro: a realização do Capítulo Geral da Congregação nos espaços do Seminário e do Instituto Cristóvão Colombo. Em 1978, os religiosos destinados ao estudo da Filosofia cessaram de vir para São Paulo e foram enviados a Curitiba, onde começava a construção do Instituto Filosófico de Curitiba. Começava, assim, a fase de conclusão paulatina da Filosofia em São Paulo.
Em 1972, foi criado o ITESP, Instituto Teológico São Paulo, fundado por três Congregações, os Scalabrinianos, os Verbitas e os Redentoristas, hoje mantida pelos Scalabrinianos e Redentoristas.
Uma nota importante é o protagonismo dos teólogos em relação à pastoral com os migrantes, como mencionado acima. Aberturas foram realizadas a partir das percepções desses religiosos, Centro Pastoral para Migrantes (CPM), Casa do Migrante, Centro de Estudos Migratórios (CEM), Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) levam, de algum modo, o olhar missionário e o entusiasmo dos religiosos e sacerdotes do João XXIII.
Em 1982 começou o atual período do Seminário João XXIII cuja característica é a internacionalização dos estudantes, assim como dos formadores. Atualmente, o Seminário Maior João XXIII, além de acolher religiosos estudantes da América Latina, também acolhe estudantes asiáticos.
Para conhecer um pouco mais:
GUIZZARDI, Rovílio. Um caminho que se fez caminhando – Cinquenta anos de história do Seminário João XXIII. São Paulo, 2004.