Encontro Global de Capelães do Stella Maris reúne missionários para fortalecer missão junto aos trabalhadores do mar
Encontro teve como foco refletir sobre os desafios enfrentados pelos marítimos, pescadores, trabalhadores portuários, caminhoneiros e suas famílias

Entre os dias 20 e 24 de julho, o Seminário São João XXIII, em São Paulo, Brasil, sediou o Encontro Global de Capelães do Apostolado Stella Maris Scalabrinian Catholic Network. A iniciativa reuniu Missionários Scalabrinianos, representantes da Igreja e colaboradores do Apostolado do Mar para avaliar prioridades pastorais e definir encaminhamentos para os próximos anos.

Realizado a partir das orientações do 16º Capítulo Geral da Congregação dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos e do Estatuto do Apostolado do Mar, promulgado pelo Papa Leão XIV em 13 de novembro de 2025, o encontro teve como foco refletir sobre os desafios enfrentados pelos marítimos, pescadores, trabalhadores portuários, caminhoneiros e suas famílias, além de fortalecer a atuação pastoral da Rede Stella Maris em diferentes continentes.

Segundo o Pe. Márcio Toniazzo, CS, Diretor Executivo da Scalabrinian International Migration Network (SIMN) e organizador do encontro, a reunião permitiu avaliar a realidade vivida nos diversos centros do Stella Maris e projetar os próximos passos da missão.

“Nos reunimos com os capelães scalabrinianos que atuam em diversos portos do mundo para analisar a realidade do universo marítimo, partilhar os desafios que encontramos em cada local e projetar nossa missão de acordo com as prioridades da Congregação. Foi um momento de escuta, discernimento e planejamento conjunto.”

O encontro reuniu capelães provenientes do Brasil (Rio de Janeiro e Santos), Guatemala, Indonésia, Panamá, Filipinas, Espanha, Taiwan (Kaohsiung e Taipei) e Uruguai, além da presença do Superior Geral dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos, Pe. Leonir Mário Chiarello, CS, do Diretor Internacional do Apostolado do Mar, Dom Luis Quinteiro Fiuza e do Bispo de Antipolo (Filipinas), Dom Ruperto Cruz Santos, D.D.

A saúde mental dos marítimos foi um dos temas centrais do encontro. O isolamento prolongado, a distância das famílias, as restrições para desembarcar nos portos e as incertezas provocadas pelos conflitos internacionais têm impactado diretamente a qualidade de vida desses trabalhadores.

“Muitos marinheiros permanecem longos períodos longe de suas famílias e, em diversos portos, nem conseguem sair das embarcações por questões documentais ou pelo pouco tempo de permanência. Somam-se a isso o medo provocado pelas guerras, as incertezas do cenário internacional e a convivência em tripulações compostas por pessoas de diferentes culturas e idiomas. Embora o inglês seja a língua comum a bordo, nem sempre ele é suficiente para expressar sentimentos e emoções”, declara Pe. Márcio.

Outro desafio apontado durante o evento diz respeito às dificuldades de assistência pastoral às tripulações. “Muitas vezes os navios permanecem poucas horas nos portos, o que limita o contato dos capelães com os marítimos. Além disso, em muitos casos, as equipes não conseguem autorização para embarcar e realizar visitas pastorais. Essa presença é fundamental, porque permite escutar, acolher e oferecer acompanhamento humano e espiritual”, afirma Pe. Márcio Toniazzo.

O Missionário Scalabriniano também destacou que os conflitos internacionais continuam produzindo impactos concretos sobre a vida dos trabalhadores do mar e sobre toda a cadeia logística mundial.

“As guerras geram insegurança para quem trabalha no transporte marítimo e afetam rotas comerciais em diferentes regiões do mundo. Mesmo situações que acontecem longe de determinado porto acabam produzindo consequências globais, aumentando a preocupação e a instabilidade vividas pelos marítimos.”

Uma missão que coloca a pessoa no centro

Durante o encontro, os participantes também refletiram sobre a mensagem do Papa Leão XIV para o Domingo do Mar, celebrado no segundo domingo de julho pela Igreja. O tema reforça que, por trás do comércio marítimo internacional, existem pessoas que merecem ser reconhecidas em sua dignidade. De acordo com Pe. Márcio, essa perspectiva está profundamente ligada ao carisma scalabriniano.

“Mais do que dados ou números, estamos falando de pessoas. Cada produto que chega às nossas mãos passou pelo trabalho de homens e mulheres que têm uma história, uma família, sonhos, desafios e esperanças. A missão da Igreja é justamente reconhecer esse rosto humano que existe por trás de cada realidade.”

O Diretor Executivo do SIMN acrescenta que essa é também a vocação da Congregação dos Missionários de São Carlos. “Vivemos em um mundo que valoriza estatísticas, indicadores e tecnologia. Mas a nossa missão é recordar que, por trás de cada número, existe uma pessoa. É esse olhar humano e evangélico que queremos fortalecer junto aos marinheiros, pescadores, caminhoneiros, migrantes e a todas as pessoas em situação de mobilidade”, concluiu Pe. Márcio.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Fotos: Arquivo Regional.

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