Vocação e missão

A Oração Eucarística IV assim se dirige ao Pai: “De tal modo, Pai Santo, amastes o mundo que, chegada a plenitude dos tempos, nos enviastes o vosso próprio Filho para ser nosso Salvador... Para cumprir vosso plano de amor, o Filho entregou-se à morte e, ressuscitando, destruiu a morte e renovou a vida. E, para não mais vivermos para nós, mas para Ele, que por nós morreu e ressuscitou, enviou de vós, ó Pai, como primeiro dom aos vossos fiéis, o Espírito Santo, que continua sua obra no mundo para levar à plenitude toda a santificação”.

Como o Pai enviou a Cristo, Cristo enviou a Igreja: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

Mas, sendo a messe grande e necessitada de muitos operários, o Espírito Santo suscita muitos carismas conforme as necessidades da Igreja e a todos confere os dons necessários.

O bispo São João Batista Scalabrini, diante dos que emigravam aos milhares para as Américas, foi tomado de profundo amor e compaixão e agiu.

Começou fazendo um apelo aos sacerdotes que quisessem partir e os enviou para o Brasil e os Estados Unidos.

Com a aprovação do Papa Leão XIII, em 1887 fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos para os italianos emigrados e, em 1895, fundou a Congregação das Missionárias de São Carlos. Em 1901, ele fez uma viagem apostólica de cem dias aos imigrantes nos Estados Unidos. Em 1904, fez uma visita de seis meses aos imigrantes no Brasil.

Em 138 anos de história, a Congregação dos Missionários de São Carlos abriu seminários para a formação de novos missionários para os migrantes: primeiramente na Itália, nos Estados Unidos e no Brasil; num segundo momento, com o alargamento da finalidade para os migrantes e refugiados de todas as nacionalidades, foram abertos também no México, na Colômbia, nas Filipinas, no Haiti, na Argentina, no Paraguai e, mais recentemente, na Indonésia, no Vietnã e na Índia. Scalabrini dizia: “Os seminários são as pupilas dos meus olhos”.

Como é bom tudo o que as Congregações Scalabrinianas, as Missionárias Seculares e os leigos fizeram e fazem como resposta ao que o Espírito suscitou para o serviço dos migrantes. Porém, o carisma não é reservado só aos padres e às irmãs religiosas, mas a todos os cristãos. Scalabrini também fundou a Associação São Rafael, feita de leigos para acompanhar e defender os imigrantes. Nunca faltaram os leigos scalabrinianos atuando dentro do carisma e uma multidão de colaboradores. O carisma scalabriniano continua muito atual. Os imigrantes estão aí, espalhados pelo mundo inteiro, muitos vivendo o drama da migração. É necessário despertar a todos, sobretudo a Igreja, para o serviço junto aos imigrantes. Deus nos chama a todos.

Para tanto, a Congregação dos Missionários lançou um Ano Vocacional. Um ano para despertar vocações consagradas e leigas. O lema deste ano é: “Reaviva o dom de Deus que está em ti” (2Tm 1,6). Era aquilo que São Paulo, antes de morrer, pediu ao seu amigo Timóteo. É aquilo que Deus pede a nós: que reavivemos o dom. É o Espírito Santo quem nos dá o dom, o carisma. O dom já está dentro de nós, mas certamente precisa ser reanimado, como fez São João Batista Scalabrini. Nem sempre o trabalho com os migrantes é fácil; por isso é preciso que o Espírito Santo nos fortifique e nos anime. Que Ele fortifique todas as vocações, tanto as consagradas como as leigas. Ao mesmo tempo, pedimos que o Espírito Santo suscite novos vocacionados e vocacionadas para o carisma scalabriniano. Que, no jardim do mundo e da Igreja, floresçam muitas vocações. Cristo, a Igreja e os imigrantes necessitam de sacerdotes, de religiosas e de missionárias seculares que se consagrem a Deus para os imigrantes. Necessitam de leigos scalabrinianos, de jovens (JUVES), de voluntários e voluntárias. Scalabrini enviou seus primeiros missionários para lugares distantes da Itália; enviou-os para as Américas.

Hoje também muitos scalabrinianos deixaram sua pátria e suas famílias e se fizeram migrantes com os migrantes nos cinco continentes do mundo. Porém, podemos ser missionários também lá onde estamos. Os imigrantes chegam até nós, passam por nós ou vivem em nossa cidade e em nosso bairro. Eu posso desconhecê-los, ignorá-los ou até desprezá-los. Porém, posso também acolhê-los, ser seu amigo e ajudá-los. Tudo isso fazemos por Jesus e em nome de Jesus. Afinal, Ele se identifica com os imigrantes; Ele disse: “Eu era imigrante e vocês me acolheram, ou não me acolheram” (Mt 25,35)! Já no Antigo Testamento, Deus tinha falado a seu povo: “Se um estrangeiro vier morar na tua terra, tu o tratarás como se fosse a tua própria carne” (Lv 19,33-34).

Seja um (a) colaborador(a) ou um(a) vocacionado(a) a serviço do carisma scalabriniano!


Texto: Pe. João Garbossa, CS; Missionário Scalabriniano.

Foto: Arquivo regional.

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