
Ao longo do mês de agosto, a Igreja nos convidou a refletir sobre o chamado único que Deus faz a cada pessoa, seja para a vida familiar, para o serviço leigo, para o ministério ordenado ou para a vida religiosa consagrada. Cada vocação é um convite a dizer “sim” a Cristo, como Maria fez ao proclamar: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38), transformando vidas, corações e histórias.
Um chamado de serviço
Entre as vocações, a vida religiosa Scalabriniana se destaca pelo seu caráter missionário e universal. Fundada em 28 de novembro de 1887 por São João Batista Scalabrini, Bispo de Piacenza, na Itália, a Congregação dos Missionários de São Carlos tem como missão o serviço aos migrantes, refugiados e marítimos, respondendo à chamada de Cristo: “Eu era migrante e vós me acolhestes” (Mt 25,35).
Segundo a Regra de Vida da Congregação, os Scalabrinianos são uma “comunidade apostólica de religiosos inserida na atividade missionária que Cristo continua na Igreja, para a realização do plano divino no mundo e na história” (n.1).
Um dom que vem de Deus
O Carisma Scalabriniano é um dom do Espírito Santo que se manifesta na edificação da Igreja e no serviço ao povo de Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que os carismas são “graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm uma utilidade eclesial, ordenados como são para a edificação da Igreja, o bem dos homens e as necessidades do mundo.” (CIC, n. 799).
Esse carisma é vivido não apenas pelos Missionários, mas também pelos outros ramos da Família Scalabriniana: Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Scalabrinianas), Missionárias Seculares e leigos Scalabrinianos, que se tornam sinais vivos da presença de Deus na vida das pessoas em mobilidade humana.
Uma vocação que atravessa fronteiras
Presentes em mais de 30 países, os Missionários Scalabrinianos mantêm obras e serviços variados: casas de acolhimento, centros de atenção ao migrante, pastoral do migrante em organismos eclesiais, paróquias, seminários, centros de estudos migratórios, centros Stella Maris e meios de comunicação.
Essa diversidade de atuação expressa que a vocação Scalabriniana não conhece fronteiras geográficas ou culturais, adaptando-se aos contextos e necessidades de cada tempo, cumprindo a missão de levar Cristo a todos que sofrem deslocamento, solidão ou injustiça.
Um “sim” que se dá diariamente
Como recorda o Concílio Vaticano II: “Estes carismas, quer sejam os mais elevados, quer também os mais simples e comuns, devem ser recebidos com ação de graças e consolação, por serem muito acomodados e úteis às necessidades da Igreja.” (Lumen Gentium, n. 12).
Encerrando o mês vocacional, a vocação Scalabriniana nos lembra que responder ao chamado de Deus é um processo diário. Cada “sim” é um passo na construção de uma Igreja que abraça fronteiras, culturas e pessoas, tornando-se instrumento de reconciliação, fraternidade e evangelização.
E você, sente esse chamado? Sente que essa é sua vocação? Tenha coragem e responda a voz que ecoa em teu coração, pois Ele te chama.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Arquivo Regional.




