Evento em Buenos Aires celebra 40 anos do Centro de Estudos Migratórios Latino-americanos
Momento também marcou o relançamento da Revista Estudos Migratórios Latinoamericanos com as edições 83 e 84 do periódico

Na última sexta-feira, 6 de março, em Buenos Aires, Argentina, foi realizada a celebração dos 40 anos do Centro de Estudos Migratórios Latino-americanos (CEMLA), celebrado em 28 de dezembro de 2025. O momento também marcou o relançamento da Revista Estudos Migratórios Latino-americanos (EML), com a apresentação das edições 83 e 84. A comemoração reuniu cerca de 60 pessoas, entre autoridades eclesiais, governamentais, acadêmicas e representantes da sociedade civil.

A abertura do evento foi conduzida pelo Missionário Scalabriniano Pe. Ildo Griz, Diretor do CEMLA. Em sua intervenção, o Sacerdote destacou a importância do Centro de Estudos para a Missão Scalabriniana e para o estudo das migrações no continente. “Esse espaço de pesquisa está diretamente relacionado com o caminhar das missões aqui na Argentina, mas também no Chile, no Uruguai e em outros países de língua espanhola”, afirmou.

Segundo Pe. Ildo, o trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos busca atender não apenas a comunidade argentina, mas também a população latino-americana como um todo. Entre as principais frentes de atuação da obra, o Missionário destacou a base de dados histórica mantida pelo CEMLA, considerada uma das mais relevantes da região.

“Aqui estão registrados dados de identidade e memória de milhões de pessoas que ingressaram na Argentina por meio do porto de Buenos Aires, constituindo uma importante fonte para pesquisas genealógicas e estudos migratórios.”, explicou.

Durante sua fala, o Diretor do CEMLA também destacou a relação entre as atividades do Centro de Estudos e o carisma scalabriniano. “Acredito que o nosso carisma encontra um lugar privilegiado dentro desse espaço de pesquisa, aqui se trabalha com a diversidade. Recebemos, anualmente, consultas provenientes de mais de cinquenta países e de pessoas de muitas culturas, nacionalidades e diferentes realidades vividas pelos migrantes.”, afirmou.

Ao recordar a trajetória do Centro de Estudos Migratórios, Pe. Ildo Griz também fez memória aos Missionários Scalabrinianos que contribuíram para a construção da instituição. “Nesse dia, não recordamos apenas números e estatísticas, mas sobretudo as pessoas que nos antecederam. Todos eles colaboraram para que o CEMLA esteja hoje onde se encontra. Creio que o trabalho realizado por cada um foi muito importante. Tivemos muitos desafios e diversas situações difíceis, nas quais também pudemos ver a força do carisma scalabriniano para superá-las.”, concluiu Pe. Ildo.

Na sequência da programação, foi realizada a primeira conferência do encontro, intitulada “CEMLA: gênese, desenvolvimento e horizontes”. A apresentação foi conduzida pela pesquisadora Doutora Nadia de Cristóforis, investigadora do Conselho Nacional de Investigações Cientificas e Técnicas (CONICET) e professora da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Durante a conferência, a pesquisadora apresentou um panorama histórico detalhado sobre a criação do centro, seus principais projetos e o desenvolvimento institucional ao longo de quatro décadas dedicadas ao estudo das migrações latino-americanas.

Outro momento importante da noite foi a apresentação das edições 83 e 84 da Revista Estudos Migratórios Latino-americanos, realizada pelo Pe. Marco Strona, Diretor Acadêmico do CEMLA, e pelo Professor Javier Romano Silva, da Universidade da República, no Uruguai.

Pe. Marco destacou a relevância histórica e acadêmica do CEMLA no estudo das migrações na América Latina. Segundo ele, a obra scalabriniana possui uma longa tradição cultural e também uma significativa incidência sociopolítica. “O CEMLA não se dedica apenas à produção de publicações acadêmicas. Por meio de sua revista e de outras iniciativas, também organiza e promove espaços de encontro em Buenos Aires”, afirmou.

O Sacerdote ressaltou que, ao longo dos anos, o Centro de Estudos se tornou um importante ponto de encontro entre pesquisadores, representantes da sociedade civil, membros da Igreja e autoridades governamentais, favorecendo a produção de materiais culturais e acadêmicos e promovendo reflexões sobre as políticas migratórias na região.

“O CEMLA é, claramente, um espaço acadêmico vinculado à pesquisa, mas também é um espaço pastoral”, explicou. “Por meio dos serviços da congregação e da atuação dos missionários junto às pessoas em mobilidade humana, refugiados e marítimos, é possível escutar muitas histórias reais e concretas. Essas experiências são levadas ao mundo acadêmico e, ao mesmo tempo, o conhecimento produzido na academia retorna ao campo pastoral.”

Para o Diretor Acadêmico, essa dinâmica faz do Centro um espaço singular de diálogo e encontro. “O CEMLA se torna especial justamente por promover um encontro real entre a pastoral, a vida concreta dos migrantes e o universo acadêmico”, destacou.

Ao concluir sua fala, Pe. Marco recordou que a criação do Centro de Estudos Migratórios foi fruto de uma importante intuição da Congregação dos Missionários de São Carlos, que atualmente mantém diversos centros de pesquisa dedicados à temática das migrações em diferentes partes do mundo, dois deles localizados na América Latina. Segundo ele, essas instituições funcionam como verdadeiros instrumentos de análise da realidade migratória, contribuindo para o diálogo entre a Igreja, a sociedade civil e os governos na busca de respostas aos desafios da mobilidade humana.

O encerramento da comemoração dos 40 anos do Centro de Estudos Migratórios Latino-americanos foi realizado pelo Superior Regional da Região Nossa Senhora Mãe dos Migrantes (RNSMM), Pe. Alexandre De Nardi Biolchi, CS. De acordo com Pe. Alexandre, a Missão Scalabriniana compreende diversos âmbitos e serviços pastorais dentro das atividades desenvolvidas pela Congregação, entre os quais se destaca o trabalho dos centros de estudos migratórios.

“O trabalho desses locais não se restringe à dimensão teórica. A partir da pesquisa acadêmica, busca-se também fundamentar a prática pastoral e promover incidência junto à Igreja, à sociedade civil e aos governos, contribuindo para a construção de políticas públicas e ações pastorais voltadas ao acolhimento e à proteção dos migrantes”, destacou.

Para Pe. Alexandre, celebrar essas quatro décadas de trabalho significa recordar a trajetória construída ao longo das últimas décadas e, ao mesmo tempo, renovar o compromisso com o futuro. “Celebrar este aniversário é também relançar a missão do CEMLA, trazendo à memória tudo aquilo que foi realizado e olhando com coragem para os desafios que ainda estão por vir”, afirmou.

O Superior Regional também ressaltou que, diante de um cenário internacional marcado por políticas migratórias cada vez mais restritivas, os centros de estudos desempenham um papel importante ao lançar luz sobre a realidade da mobilidade humana a partir de uma perspectiva acadêmica e humanitária.

“Essa reflexão contribui para que a prática pastoral da Igreja, e também as iniciativas da sociedade em geral, se orientem cada vez mais por uma cultura de acolhida, recordando o chamado evangélico de acolher o estrangeiro”, concluiu.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Fotos: Arquivo Regional.

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