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Todos os anos, no Brasil, o Dia da Bíblia é celebrado no último domingo de setembro. A data faz parte da tradição católica brasileira e está inserida no contexto do Mês da Bíblia, celebrado durante todo o mês de setembro. Mas por que a Igreja dedica um período especial à Sagrada Escritura? E de onde surgiu essa celebração?
O Dia da Bíblia é um convite para redescobrir a Palavra de Deus como fonte da vida cristã, recebida, celebrada e transmitida pela Igreja.
Por que setembro é o Mês da Bíblia?
A escolha de setembro está ligada à memória de São Jerônimo, celebrada pela Igreja em 30 de setembro. Sacerdote, monge e doutor da Igreja, São Jerônimo dedicou grande parte de sua vida ao estudo e à tradução das Sagradas Escrituras. É especialmente conhecido pela tradução da Bíblia para o latim, posteriormente conhecida como Vulgata, que exerceu enorme influência na vida da Igreja no Ocidente.
Sua dedicação à Escritura expressa uma verdade fundamental da fé cristã: não podemos amar profundamente a Cristo sem desejar conhecer sua Palavra. É atribuída a São Jerônimo a conhecida afirmação: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo.”
Por isso, a proximidade de sua memória com o mês dedicado à Bíblia não é apenas uma coincidência. São Jerônimo tornou-se um grande exemplo de como o estudo da Palavra deve conduzir ao encontro com Cristo.
A origem do Dia da Bíblia no Brasil
A celebração do Dia da Bíblia possui uma história própria no Brasil. A iniciativa de dedicar um período especial à divulgação e ao estudo da Sagrada Escritura ganhou força entre os cristãos brasileiros ao longo do século XX e foi incorporada à caminhada pastoral da Igreja no país.
No âmbito católico, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) consolidou setembro como o Mês da Bíblia, propondo anualmente um livro ou tema das Escrituras para ser estudado e aprofundado pelas comunidades. O Dia da Bíblia, celebrado no último domingo do mês, funciona como um momento especial de conclusão e celebração desse caminho.
Assim, setembro não deve ser entendido apenas como uma campanha temática. É uma oportunidade para que paróquias, comunidades, famílias e cada fiel recuperem o lugar central que a Sagrada Escritura deve ocupar na vida cristã.
O Dia da Bíblia não é apenas um dia para falar sobre a Bíblia
Existe, porém, um risco quando transformamos o Dia da Bíblia em uma simples comemoração. Podemos organizar encontros, publicar conteúdos, realizar estudos e falar sobre a importância da Palavra de Deus, e ainda assim não abrir a Bíblia regularmente.
O objetivo da celebração é justamente o contrário: levar-nos a uma relação mais profunda e constante com a Sagrada Escritura.
A Igreja recomenda a leitura frequente da Bíblia. Mas essa leitura deve ser acompanhada de oração e realizada em comunhão com a fé da Igreja. Não se trata apenas de acumular conhecimento religioso. Trata-se de permitir que a Palavra ilumine nossa inteligência, corrija nossas escolhas, fortaleça nossa esperança e nos conduza à conversão.
São Tiago nos recorda: “Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes” (Tg 1,22).
Como viver o Dia da Bíblia?
Celebrar o Dia da Bíblia pode começar com gestos simples: reservar um momento para a leitura orante da Escritura, participar da Liturgia, estudar um livro bíblico, rezar com os Salmos ou simplesmente recuperar o hábito de ler diariamente um trecho do Evangelho.
Também é uma oportunidade para as famílias colocarem a Bíblia novamente no centro de sua vida. Uma leitura breve do Evangelho, seguida de alguns minutos de silêncio e oração, pode transformar a relação da família com a Palavra de Deus.
Nas comunidades, o Dia da Bíblia pode ser vivido por meio de círculos bíblicos, encontros de formação, momentos de Lectio Divina, celebrações e ações que ajudem os fiéis a compreender que conhecer a Escritura é parte essencial do discipulado cristão.
Deus continua falando à sua Igreja
Celebrar o Dia da Bíblia é, portanto, renovar a disposição de escutar. É reconhecer que não somos nós que determinamos aquilo que Deus deve dizer, mas somos chamados a abrir o coração para aquilo que Ele revelou. É também recordar que a Escritura não aponta simplesmente para conceitos, regras ou valores. Ela aponta para uma Pessoa.
Jesus Cristo é o centro da Sagrada Escritura, o Verbo eterno do Pai que se fez homem para nossa salvação. Por isso, celebrar a Bíblia é, em última análise, celebrar o Deus que quis falar conosco e nos conduzir ao encontro com seu Filho.
Neste Dia da Bíblia, mais do que perguntar quanto sabemos sobre a Palavra de Deus, vale perguntar: temos permitido que a Palavra de Deus transforme nossa vida?
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: AdobeStock.