Papa Leão XIV publica sua 1ª Exortação Apostólica “Dilexi te”
Documento, assinado em 4 de outubro e publicado neste dia 9, propõe redescobrir o amor de Cristo nos pobres e destaca a figura de São João Batista Scalabrini.

O Papa Leão XIV publicou nesta quarta-feira, 9 de outubro, a Exortação Apostólica Dilexi te (“Eu te amei” – Ap 3,9), dedicada ao amor pelos pobres. O texto, assinado no último dia 4, festa de São Francisco de Assis, propõe uma profunda reflexão sobre a “opção preferencial pelos pobres” e convida toda a Igreja a contemplar, neles, o rosto e o coração de Cristo. As informações são do portal Vatican News.

O documento nasce como continuidade de um projeto iniciado pelo seu predecessor e, segundo o Santo Padre, é assumido “como herança e compromisso pessoal” neste início de pontificado. “Sinto-me feliz ao apresentá-lo, partilhando o desejo do meu amado Predecessor de que todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres”, escreve o Sumo Pontífice (DT 3).

“Uma Igreja para os pobres”

Na Exortação, Leão XIV reafirma que a opção preferencial pelos pobres não se trata de exclusão, mas de revelação. “Esta ‘preferência’ nunca diz respeito a um exclusivismo ou discriminação; ela expressa o agir de Deus, que, por compaixão, se dirige à pobreza e à fraqueza da humanidade inteira” (DT 16). O Papa sublinha que a Igreja é chamada a ser “uma Igreja para os pobres”, destacando que “não estamos no horizonte da beneficência, mas no da Revelação” (DT 5).

O Pontífice retoma também o testemunho bíblico: “Numerosas páginas do Antigo Testamento apresentam Deus como amigo e libertador dos pobres (…). No coração de Deus, ocupam lugar preferencial os pobres […]. Todo o caminho da nossa redenção está assinalado pelos pobres” (DT 17).

Acompanhar os migrantes

Entre os muitos rostos da pobreza e da exclusão, Dilexi te dedica um espaço especial à realidade dos migrantes, recordando que a experiência migratória acompanha a história do próprio povo de Deus de Abraão e Moisés a Maria, José e o Menino Jesus. “O próprio Cristo viveu entre nós como estrangeiro”, escreve o Papa, recordando que, no dia do juízo, o Senhor dirá: “era peregrino e recolhestes-me” (Mt 25, 35).

Ao abordar o tema, Leão XIV recorda dois santos que marcaram profundamente a pastoral migratória: São João Batista Scalabrini e Santa Francisca Xavier Cabrini. O Papa destaca que, no século XIX, quando milhões de europeus deixavam o continente em busca de melhores condições de vida, Scalabrini, então bispo de Piacenza, “fundou os Missionários de São Carlos para acompanhar os migrantes nas suas comunidades de destino, oferecendo-lhes assistência espiritual, jurídica e material”.

Nos migrantes, Scalabrini reconheceu “destinatários de uma nova evangelização”, alertando para os riscos da exploração e da perda da fé em terra estrangeira. Segundo o texto, “correspondendo com generosidade ao carisma que o Senhor lhe tinha concedido, Scalabrini olhava mais além, olhava lá para diante, para um mundo e uma Igreja sem barreiras, sem estrangeiros”.

Ao incluir a figura de Scalabrini na Dilexi te, o Papa Leão XIV reforça a atualidade do carisma Scalabriniano, como expressão viva do amor de Cristo pelos que são forçados a deixar sua terra. A presença do migrante, afirma o Pontífice, “é uma presença viva do Senhor” no meio do seu povo.

Conversão pastoral e social

Para Leão XIV, a atenção aos pobres é fonte de renovação espiritual e social: “A opção preferencial pelos pobres gera uma renovação extraordinária tanto na Igreja como na sociedade, quando somos capazes de nos libertar da autorreferencialidade e conseguimos ouvir o seu clamor” (DT 7).

O Papa insiste que o cuidado com os pobres não deve ser entendido apenas como uma dimensão assistencial, mas como um verdadeiro caminho de santificação: “No apelo a reconhecê-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o próprio coração de Cristo, os seus sentimentos e as suas opções mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo” (DT 3).

Os pobres como “mestres do Evangelho”

Em tom pastoral e ao mesmo tempo provocador, Dilexi te recorda que os pobres não são apenas destinatários da evangelização, mas verdadeiros evangelizadores. “Os mais pobres não são mero objeto da nossa compaixão, mas mestres do Evangelho. Não se trata de lhes ‘levar Deus’, mas de encontrá-Lo ali”, escreve o Papa (DT 79).

Citando São João Paulo II, Leão XIV recorda a necessidade de superar “o paternalismo da mera assistência” e reconhecer “o papel ativo dos pobres na renovação da Igreja e da sociedade” (DT 87). “O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma ‘questão familiar’. Pertencem ‘aos nossos’” (DT 104).

Caminho de santificação

Encerrando o documento, o Papa exorta os fiéis a deixarem-se evangelizar pelos pobres e a redescobrirem neles o amor concreto de Cristo: “Se é verdade que os pobres são sustentados por aqueles que têm meios económicos, certamente também é possível afirmar o contrário (…). São precisamente os pobres que nos evangelizam” (DT 109).

Com Dilexi te, Leão XIV oferece ao mundo uma mensagem profundamente evangélica, inspirada no testemunho de São Francisco de Assis, de São João Batista Scalabrini e de Santa Cabrini. Enraizado na tradição viva da Igreja, o texto recorda que ser discípulo de Cristo é amar como Ele amou, começando pelos mais pequenos e pelos que caminham em busca de um lar.

Para ler a Exortação Apostólica Dilexi Te completa, clique aqui.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de Conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Foto: Vatican Media.

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