Peregrinação missionária leva relíquia de São João Batista Scalabrini às comunidades de Cuiabá
Iniciativa da Paróquia Divino Espírito Santo promove momentos de oração, formação e devoção ao fundador dos Missionários de São Carlos, com o propósito de fortalecer o compromisso missionário e a acolhida aos migrantes

A Paróquia Divino Espírito Santo, em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil, promove desde 27 de setembro a Peregrinação Missionária da Relíquia de São João Batista Scalabrini, fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos e reconhecido pela Igreja como o “Pai dos Migrantes”. A iniciativa percorre as comunidades paroquiais com uma programação que reúne oração, celebrações, formação e momentos de veneração, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a vida e a espiritualidade do santo e fortalecer a identidade scalabriniana da comunidade.

Segundo o pároco, Pe. James-son Mercure, CS, a proposta surgiu do desejo dos fiéis de conhecer melhor a história e a missão de São João Batista Scalabrini, canonizado em 9 de outubro de 2022. A presença da relíquia também representa uma oportunidade de aprofundar uma identidade que faz parte da história da paróquia desde sua fundação.

“A Paróquia Divino Espírito Santo traz em suas raízes uma identidade scalabriniana. Essa vocação transparece no acolhimento dos fiéis, sempre atentos e sensíveis à realidade migratória de Cuiabá”, afirma o sacerdote.

A iniciativa foi amadurecida com a participação do Conselho Pastoral Paroquial (CPP), a partir de questionamentos sobre como aproximar os fiéis, especialmente as crianças da catequese, da vida do fundador. A partir dessa escuta, a paróquia organizou o itinerário da relíquia com a colaboração dos coordenadores das comunidades, que também receberam formação para preparar a peregrinação.

Oração e formação nas comunidades

Antes do início do percurso, as lideranças pastorais foram preparadas para vivenciar e promover quatro dimensões fundamentais: espiritualidade, comunhão, formação e missão. A proposta é que cada comunidade desenvolva uma programação própria durante a semana de permanência da relíquia.

Entre as atividades realizadas estão a oração do terço missionário scalabriniano, as celebrações eucarísticas, os momentos de veneração e os encontros formativos sobre a vida e a obra de São João Batista Scalabrini. As crianças da catequese também participam de atividades voltadas ao conhecimento da história e da missão do santo.

De acordo com Pe. James-son, os relatos recebidos pela paróquia indicam que essas dimensões vêm sendo vivenciadas pelas comunidades por meio de diferentes iniciativas de oração e formação. “Esperava-se a presença predominantemente de agentes de pastorais e movimentos, mas houve um grande interesse por parte de toda a assembleia”, relata.

A primeira movimentação da peregrinação ocorreu na manhã de 27 de setembro, quando mais de 20 carros participaram de uma carreata, entoando o hino de São João Batista Scalabrini. A relíquia seguiu em direção à comunidade que a receberia, dando início a uma experiência que, segundo o Missionário Scalabriniano, tem despertado a devoção e o interesse dos fiéis pela história do fundador.

Da devoção ao compromisso missionário

Para Pe. James-son, um dos principais frutos da peregrinação é a possibilidade de aproximar a devoção ao santo da vivência cotidiana do Evangelho. A experiência busca fortalecer a sensibilidade dos fiéis diante das necessidades dos mais pobres, especialmente dos migrantes e refugiados acolhidos pela paróquia por meio de sua Casa de Acolhida.

O missionário destaca que a missão da Igreja não se limita à vida interna das comunidades, mas exige presença junto às pessoas que enfrentam situações de sofrimento e vulnerabilidade. Nesse sentido, a trajetória de Scalabrini permanece como referência para a ação pastoral e social dos fiéis. “Como dizia o nosso Fundador: ‘A Igreja deve estar onde o povo sofre’”, recorda.

A peregrinação também pretende ampliar o envolvimento da comunidade com as iniciativas de acolhida já desenvolvidas pela paróquia. Para o pároco, conhecer a história, a espiritualidade e a obra de Scalabrini permite compreender mais profundamente a relação entre fé e serviço aos migrantes.

“Sei que a nossa comunidade já vivencia esse carisma apoiando a Casa de Acolhida. O meu desejo é que, após esta experiência com a relíquia, possa servir a essa causa com ainda mais amor, paixão e entrega, compreendendo que essa ajuda é um verdadeiro serviço de evangelização”, afirma.

Ao convidar os fiéis a participarem das próximas etapas da peregrinação, Pe. James-son ressalta que o acolhimento, característica já reconhecida na comunidade, pode se fortalecer por meio do conhecimento da vida e da missão do fundador.

A iniciativa, assim, busca fazer da veneração à relíquia de São João Batista Scalabrini um caminho de aprofundamento espiritual e renovação do compromisso missionário, para que a fé se traduza em atitudes concretas de solidariedade, acolhida e serviço. “Somos scalabrinianos, migrantes a caminho junto com os migrantes”, conclui Pe. James-son Mercure.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Fotos: Divulgação Paróquia Divino Espírito Santo, Cuiabá (MT).

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