O que é a Pascoela?

A celebração da Páscoa não se encerra no Domingo da Ressurreição. Na tradição da Igreja, a solenidade mais importante do calendário litúrgico se prolonga ao longo de toda uma semana especial, conhecida como Pascoela ou, de forma mais técnica, a Oitava da Páscoa.

Esse período expressa uma verdade central da fé cristã: a Ressurreição de Jesus Cristo é tão fundamental que não pode ser celebrada em apenas um dia. Por isso, a Igreja estende essa solenidade por oito dias, vividos como um único grande domingo.

Uma semana como um único dia festivo

As Normas Universais sobre o ano litúrgico e o calendário, de São Paulo VI, no número 22, dirão que: “Os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, ‘como um grande domingo’”. A Pascoela corresponde exatamente aos oito dias que vão do Domingo de Páscoa até o domingo seguinte, hoje conhecido como Domingo da Divina Misericórdia, instituído por São João Paulo II no ano 2000.

Durante esse período, cada dia é celebrado liturgicamente com a mesma solenidade do Domingo de Páscoa.

Origem e significado do nome

O termo “Pascoela” tem origem popular e indica justamente esse prolongamento da Páscoa, como uma “pequena Páscoa”. Embora não seja um termo oficial nos documentos litúrgicos atuais, ele permanece vivo na tradição e na linguagem pastoral.

Outras expressões antigas também eram utilizadas, como “Oitava da Páscoa” e o latim Quasímodo, nome que vinha da antífona de entrada da Missa desse domingo “quasi modo geniti infantes (em português: como crianças recém-nascidas). Outra designação tradicional é “Domingo in albis”, que remete a uma prática muito significativa da Igreja primitiva.

O Domingo “in albis” e os primeiros cristãos

Nos primeiros séculos do cristianismo, a Vigília Pascal era o momento privilegiado para a celebração dos batismos, especialmente de adultos. Os catecúmenos, após receberem o sacramento, vestiam roupas brancas (símbolo da nova vida em Cristo e da pureza recebida).

Durante toda a semana da Pascoela, esses recém-batizados participavam das celebrações revestidos dessas vestes, aprofundando sua iniciação na fé. No domingo seguinte, eles retiravam essas roupas, razão pela qual o dia ficou conhecido como “Domingo in albis” (domingo das vestes brancas).

A Ressurreição no centro da experiência cristã

A Pascoela só pode ser compreendida à luz da centralidade da Ressurreição. No relato do Evangelho, especialmente em passagens como a visita de Maria Madalena ao sepulcro e a corrida dos apóstolos Pedro e João (João 20, 1-2), vemos que o primeiro impacto diante do túmulo vazio foi de confusão e incompreensão.

Aos poucos, porém, nasce a fé. O discípulo amado “começou a acreditar” ao ver os sinais. Pedro, por sua vez, ainda hesita. Essa dinâmica revela que o mistério da Ressurreição não é imediatamente compreendido, mas acolhido progressivamente.

A Igreja revive esses ensinamentos durante a Pascoela: dia após dia, os fiéis são convidados a entrar mais profundamente no mistério do Cristo vivo.

Um tempo de alegria que transforma a vida

A Pascoela é marcada por uma tonalidade profundamente festiva. A liturgia elimina qualquer traço penitencial: não se jejua, o Aleluia é constantemente proclamado, e a Igreja convida os fiéis a viverem uma alegria autêntica.

Essa alegria nasce da certeza de que Cristo venceu a morte e abriu à humanidade o caminho da vida eterna. Como ensina a tradição cristã, não celebramos a memória de um herói do passado, mas a presença real de um Cristo vivo.

Essa verdade tem consequências concretas: uma vida entregue por amor, como a de Jesus, não termina na morte, mas se abre à plenitude da vida em Deus.

A Pascoela atualmente

Após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, algumas práticas antigas foram simplificadas, mas o sentido da Oitava da Páscoa foi plenamente preservado.

Hoje, o domingo que encerra a Pascoela é celebrado como Domingo da Divina Misericórdia, reforçando uma dimensão essencial da Ressurreição: o amor misericordioso de Deus que vence o pecado. A devoção à Divina Misericórdia, difundida a partir das revelações a Santa Faustina Kowalska, convida os fiéis a confiarem plenamente em Cristo e a viverem a misericórdia nas relações concretas.

Uma alegria que não se encerra

A Pascoela é apenas o início. A alegria da Ressurreição se estende por todo o Tempo Pascal e, mais ainda, por toda a vida cristã. Celebrar essa semana é reconhecer que a vitória de Cristo não pertence apenas ao passado, mas continua presente e operante no mundo de hoje.

Em um contexto marcado por incertezas, crises e sofrimentos, a mensagem da Pascoela permanece atual e necessária: a vida venceu, o amor triunfou, e Cristo continua vivo.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Foto: Gebhard Fugel/Artvee

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