
Pesquisa da UFMG e do ACNUR mostra que trabalhadores refugiados contribuíram com mais de R$ 17 bilhões em tributos e previdência entre 2018 e 2024, com impacto reduzido sobre os serviços públicos
Garantir o acesso de pessoas refugiadas ao mercado formal de trabalho gera benefícios econômicos e sociais para o Brasil. É o que demonstra uma pesquisa inédita realizada pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (CEDEPLAR/UFMG) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), com apoio do Pacto Global da ONU – Rede Brasil e da Corporação Financeira Internacional (IFC), do Banco Mundial.
O estudo analisou dados nacionais de 2018 a 2024 sobre mercado de trabalho formal, arrecadação tributária e contas públicas, além de pesquisas de campo com empresas e trabalhadores. Os resultados indicam que a inclusão econômica de pessoas refugiadas amplia a arrecadação, aumenta a produtividade e fortalece o desenvolvimento dos municípios onde vivem.
Principais resultados da pesquisa
A pesquisa mostra que mais de 275 mil trabalhadores refugiados estavam inseridos no mercado formal em 2024. Entre 2018 e 2024, o trabalho de pessoas refugiadas contribuiu com mais de R$ 17 bilhões em tributos e contribuições previdenciárias. O estudo também identificou que esses trabalhadores apresentaram cerca de 16% menos dias de afastamento em comparação com brasileiros de perfil semelhante, além de menor chance de desligamento no início da contratação. Outro dado apontado pela pesquisa é que os custos associados à assistência social, educação e saúde permaneceram proporcionalmente baixos nos municípios analisados.
Segundo o estudo, trabalhadores refugiados alcançam produtividade equivalente à de trabalhadores brasileiros com perfil semelhante de forma imediata em grandes estabelecimentos e na indústria alimentícia.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa reuniu diferentes frentes de análise para avaliar os impactos da inclusão laboral de pessoas refugiadas no Brasil. Foram utilizados microdados nacionais da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e de outras bases oficiais.
Também foram analisadas informações sobre assistência social, educação e saúde em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul; Chapecó, Santa Catarina; e Toledo, Paraná. O estudo incluiu questionários com trabalhadores e gestores, além de entrevistas em profundidade realizadas em empresas dos setores alimentício, têxtil e metalúrgico.
Avaliação das empresas
O levantamento também mostrou que gestores avaliam o desempenho de trabalhadores refugiados como semelhante ou superior ao de brasileiros em funções equivalentes. Práticas como apoio linguístico, integração estruturada e oportunidades de desenvolvimento profissional foram apontadas como fatores que favorecem a permanência e o crescimento desses profissionais nas empresas.
A pesquisa conclui que a inclusão econômica de pessoas refugiadas produz benefícios compartilhados para trabalhadores, empresas, governos e comunidades de acolhida. Ao oferecer evidências inéditas sobre os impactos econômicos e sociais dessa agenda, o estudo busca contribuir para a formulação de políticas públicas e ampliar o engajamento do setor privado na construção de soluções que promovam desenvolvimento sustentável e inclusão socioeconômica.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
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