
Dados levantados pelo portal Poder360 mostram que o país registrou 34.346 novas solicitações de refúgio entre janeiro e junho de 2026, com forte liderança de cidadãos cubanos e concentração de entradas pelo Estado de Roraima
O Brasil registrou a chegada de 34.346 refugiados e solicitantes de asilo apenas no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados divulgados pelo OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais) e repercutidos pelo portal Poder360. O volume reforça a tendência de alta observada desde 2016, período que concentra cerca de 93% das 587.681 solicitações de refúgio acumuladas no Brasil ao longo do século 21. Desse total histórico nos últimos dez anos, 548.204 entradas foram distribuídas por todos os estados do território nacional.
A porta de entrada predominante continua sendo o estado de Roraima, impulsionado pela proximidade geográfica com as fronteiras terrestres. Nos últimos dez anos, a região norte recebeu 331 mil refugiados, o equivalente a 60% de todas as entradas registradas no país.
Embora um grande volume de migrantes atravesse a fronteira por Roraima — com destaque para cidadãos venezuelanos —, boa parte dessas pessoas transitam pelo Estado em direção a outras regiões brasileiras, embora ainda não haja um mapeamento oficial consolidado sobre os destinos finais definitivos no país.
Em termos de tramitação formal, apenas 3.540 pedidos obtiveram decisões emitidas no período, sendo 2.425 deferidos, 75 indeferidos, 21 perdas da condição de refúgio e 1.019 enquadrados em outras condições, como arquivos e extensões de prazo.
A principal mudança no perfil das solicitações em 2025 e no primeiro semestre de 2026 foi a liderança dos cubanos, que superaram venezuelanos e haitianos ao somar 20.400 registros vindos da ilha caribenha.
O fluxo migratório de Cuba tem sido impulsionado por uma severa crise energética e apagões generalizados, agravados pelo embargo rigoroso e pelo bloqueio de ativos estatais de petróleo determinados pelos Estados Unidos.
Em contrapartida, as solicitações de venezuelanos recuaram para cerca de 21.200 em 2025, influenciadas por um processo de abertura comercial gradual conduzido pela administração interina no país vizinho, o que levou parte da população a ponderar o retorno ou a permanência.
Completando o grupo dos principais países de origem no período, os haitianos ocupam a terceira posição, com 1.405 pessoas buscando refúgio no Brasil de janeiro a junho de 2026 — um volume que já supera o registrado em todo o ano anterior (262 pedidos).
O movimento migratório do Haiti segue atrelado a longos anos de instabilidade institucional, governos de transição e impactos da violência de gangues, quadro que antecede a expectativa de novas eleições gerais no país caribenho previstas para o final de 2026.
Texto: Maria Eduarda Bastos dos Santos, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
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