
De acordo com o estudo, a população migrante está distribuída por todas as regiões do país, com destaque para nacionalidades como venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos
O Brasil abriga atualmente mais de 2 milhões de imigrantes e refugiados de cerca de 200 nacionalidades, segundo dados do 12º Relatório Anual “Política Migratória no Brasil: evidências para gestão de fluxos e políticas setoriais”. O levantamento foi divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e reúne informações sobre residentes temporários, permanentes, solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos.
De acordo com o estudo, a população migrante está distribuída por todas as regiões do país, com destaque para nacionalidades como venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos. O relatório também aponta um crescimento significativo da inserção dessa população no mercado de trabalho formal, com aumento de 54% entre 2023 e 2025.
Apesar do avanço, persistem desafios. Em 2024, cerca de 78,8% dos trabalhadores domésticos imigrantes ainda atuavam sem carteira assinada, evidenciando a vulnerabilidade laboral dessa parcela da população.
Outro dado relevante diz respeito ao perfil demográfico: as mulheres representam 55,6% dos imigrantes no país. Além disso, houve aumento de 18,6% no número de crianças e adolescentes migrantes em um ano, conforme registros do Cadastro Único (CadÚnico). O relatório também chama atenção para a presença expressiva de famílias migrantes em programas de assistência social. Em 2023, dos 562,6 mil imigrantes cadastrados no CadÚnico, cerca de 260,1 mil não tinham acesso ao Bolsa Família, indicando lacunas no alcance das políticas públicas.
Diante desse cenário, o documento recomenda a redução do tempo na demora para inclusão em benefícios sociais e o aprimoramento dos mecanismos de gestão das filas de atendimento, além de maior integração entre políticas nas áreas de educação, assistência social e proteção à infância. A pesquisa tem como objetivo subsidiar a implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, instituída por decreto em 2025.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.




