
Segundo o estudo, secas prolongadas, enchentes recorrentes e a perda de áreas produtivas devem forçar populações inteiras a abandonar seus territórios de origem
A crise climática tende a intensificar os fluxos migratórios no Brasil nas próximas décadas, impulsionando migrações internas e transfronteiriças até 2045. O alerta consta no relatório “Futuro Mais Seguro”, elaborado em 2025 pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa os impactos dos eventos climáticos extremos sobre a dinâmica social e institucional do país.
Segundo o estudo, secas prolongadas, enchentes recorrentes e a perda de áreas produtivas devem forçar populações inteiras a abandonar seus territórios de origem, ampliando o fenômeno das chamadas migrações climáticas. Regiões já marcadas por vulnerabilidades socioeconômicas tendem a concentrar os maiores fluxos de saída.
O relatório aponta que o deslocamento de grandes contingentes populacionais pode pressionar centros urbanos, gerar sobrecarga nos sistemas de moradia, saúde e assistência social e acirrar disputas por recursos básicos, como água e alimentos. Esse cenário, segundo o TCU, eleva o risco de conflitos sociais e de episódios de discriminação.
Outro aspecto destacado é a relação entre migração forçada e vulnerabilidade social. De acordo com o Tribunal, populações deslocadas e sem acesso a políticas públicas estruturadas tornam-se mais expostas à precarização do trabalho e à atuação do crime organizado, que pode explorar rotas migratórias para atividades ilícitas.
O estudo alerta ainda que o aumento das migrações climáticas exigirá reorganização das políticas públicas, com maior integração entre as áreas de meio ambiente, desenvolvimento social, mobilidade humana e segurança pública. Sem planejamento adequado, o deslocamento populacional tende a aprofundar desigualdades regionais e a pressionar ainda mais as cidades de destino.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Adobe Stock.




