
Roraima liderou o número de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, com mais de 30 mil pedidos
Dados do relatório “Dados Consolidados da Imigração no Brasil 2024”, produzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, apontam que a Amazônia se consolidou, em 2024, como uma das principais portas de entrada de refugiados e migrantes no país. No período, a região norte registrou 856 mil movimentos de entrada e saída nos postos de fronteira.
Segundo informações do Portal Rondônia, embora o Sudeste concentre o maior volume nacional, os estados amazônicos se destacam pela função de acolhida inicial e permanência, sobretudo de migrantes venezuelanos. Roraima liderou o número de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado, com mais de 30 mil pedidos, superando São Paulo e Amapá.
No recorte municipal, Boa Vista apareceu como o segundo município brasileiro com mais registros migratórios, atrás apenas da capital paulista. Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, também figurou entre os principais destinos declarados por solicitantes de refúgio e refugiados reconhecidos.
O Acre surge como outro ponto estratégico da rota amazônica. Em 2024, o estado concentrou milhares de solicitações de refúgio, com destaque para os municípios de Epitaciolândia e Assis Brasil, que figuram entre os locais com maior número de refugiados reconhecidos, segundo dados do Conare.
No Amazonas, Manaus consolidou-se como polo urbano de absorção migratória. A capital foi o terceiro município com mais registros de residência de imigrantes no país e esteve entre as dez cidades que mais geraram postos formais de trabalho para migrantes em 2024, conforme dados do Caged analisados pelo OBMigra. O estado também figura entre os cinco com maior número de solicitações de refúgio.
Rondônia, embora com números menores, integra o corredor migratório amazônico. Em 2024, o estado registrou pedidos de reconhecimento da condição de refugiado, reforçando sua função como área de passagem e redistribuição no eixo Norte–Centro-Oeste.
Os dados mostram ainda que os venezuelanos permanecem como a principal nacionalidade entre os refugiados no Brasil. Nos estados do Norte, a presença segue majoritária, especialmente em Roraima, onde 77,1% dos refugiados reconhecidos declararam residência.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Adobe Stock.




