
Dados levantados em parceria com ACNUR e UFPR apontam que haitianos representam cerca de 30% da população na comunidade Andorinhas, em Piraquara; levantamento subsidia novas políticas públicas locais
O Brasil reafirma sua posição como um país de acolhida, proteção, promoção e integração para milhares de pessoas que buscam proteção internacional e uma nova trajetória de vida. Este cenário migratório, marcado pela diversidade de nacionalidades, encontra um retrato preciso na comunidade Andorinhas, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, Paraná, Brasil. Um censo realizado entre abril e julho de 2026, por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), trouxe à luz a realidade vivida por seus moradores.
Um olhar sobre a comunidade
O levantamento, cujos dados foram apresentados no último dia 18 de agosto, alcançou 876 domicílios e ouviu 2.557 pessoas. O diagnóstico revelou uma presença expressiva de estrangeiros: são 821 pessoas não brasileiras, o que corresponde a 32,1% da população local. Destas, a população haitiana é o grupo predominante, com 727 indivíduos distribuídos em 270 domicílios.
A iniciativa de realizar o censo partiu da necessidade de mapear as condições da comunidade, que se formou a partir de ocupações espontâneas em áreas periféricas. O território apresenta desafios estruturais importantes, como a precarização do acesso ao saneamento básico, à energia elétrica e à pavimentação.
Integração e o contexto paranaense
Os dados coletados em Piraquara elucidam a realidade vivida por diversas instituições no estado do Paraná, que atuam no enfrentamento dos desafios de integração de migrantes e refugiados. A Congregação dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos, presente na região de Curitiba por meio do Centro de Apoio ao Migrante (CEAMIG), trabalha para oferecer suporte a quem chega na cidade, focando em acolhimento, proteção e orientação para o acesso a direitos fundamentais.
Em julho de 2026, o CEAMIG registrou o atendimento de cerca de 174 migrantes, entre venezuelanos, cubanos, marroquinos e haitianos. Do total, 89 eram homens e 85 mulheres.
A faixa etária predominante foi a de 30 a 59 anos, com 80 atendidos, seguida pelo grupo de 18 a 29 anos. Os dados refletem a diversidade do público acompanhado pelo CEAMIG e evidenciam a necessidade de iniciativas que contribuam não apenas para o acolhimento inicial, mas também para os processos de integração social, acesso a direitos e construção de autonomia.
O caminho adiante
A realização de levantamentos como o de Piraquara é um movimento essencial para que as políticas públicas deixem de ser generalistas e passem a responder às necessidades específicas de cada território.
Com a sistematização dessas informações, o poder público e as organizações da sociedade civil possuem agora um diagnóstico mais claro para fortalecer as ações de integração econômica e social de migrantes e refugiados, garantindo, acima de tudo, o respeito à dignidade humana e a promoção de uma vida mais autônoma e segura.
Texto: Maria Eduarda Bastos dos Santos, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: ACNUR/Paola Bello.




