Mobilidade humana impacta nas finanças públicas, mercado de trabalho e inovação
Reportagem analisa dados da ONU e da OCDE para mostrar como a chegada de mais de 94 milhões de imigrantes na Europa e mais de 61 milhões na América do Norte impacta finanças públicas, mercado de trabalho e inovação

O debate sobre migração ganhou espaço nos cenários políticos globais, impulsionado por discursos que relacionam os fluxos populacionais a pressões fiscais e imobiliárias, é o que aponta uma reportagem divulgada pelo portal DW.

O número de migrantes na Europa saltou de mais de 56 milhões em 1995 para mais de 94 milhões em 2024, enquanto na América do Norte subiu de mais de 33 milhões para mais de 61 milhões no mesmo período. Os pedidos de asilo em economias ricas quase dobraram de 2021 para 2022, aumentando cerca de 25% em 2023.

Segundo o economista Michael Clemens, da Universidade de George Mason, picos repentinos de chegada podem sobrecarregar finanças e infraestruturas públicas, como o sistema educacional, tornando necessário um planejamento estatal adequado.

Governos de países acolhedores lidam com despesas operacionais elevadas para receber requerentes de asilo e refugiados. Na Alemanha, por exemplo, o governo gastou cerca de 28 bilhões de euros em 2024 com essa população, montante próximo a 6% do orçamento federal.

A economista Ana Damas de Matos, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), explica que a contribuição fiscal varia conforme o perfil do migrante e que, embora os custos iniciais sejam expressivos, o retorno financeiro e econômico se consolida a longo prazo.

A força de trabalho estrangeira também atua como amortecedor contra o envelhecimento demográfico na Alemanha. Pesquisas da Fundação Bertelsmann, lideradas por Susanne Schultz, e análises do Ifo Institute for Economic Research, apresentadas pelo diretor Panu Poutvaara, indicam que o país enfrentaria forte escassez de mão de obra sem a presença de imigrantes.

Nos Estados Unidos, dados do Conselho Americano de Imigração e da OCDE mostram que migrantes e filhos de migrantes compõem mais de 46% das empresas listadas no ranking Fortune 500, sendo a primeira geração responsável por mais de 21%. Além disso, 71% das novas empresas criadas no país possuem fundadores imigrantes.

Em termos gerais, o peso do empreendedorismo migrante nas nações da OCDE subiu de 11% em 2006 para 17% em 2022. Especialistas reforçam que os governos precisam integrar políticas econômicas e migratórias para garantir gestão eficiente, qualificação e acolhimento adequado.


Texto: Maria Eduarda Bastos dos Santos, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Foto: AdobeStock.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria.

Concordo