A alegria de anunciar o Evangelho

Quem teve a graça de conviver com o Pe. Benjamim Basso confirma que a característica mais eloquente da sua personalidade foi a alegria. Era comum encontrá-lo com um sorriso no rosto e com palavras amigas de encorajamento. Era otimista por natureza, respeitoso com a cultura dos outros. Não era difícil vê-lo trajado com as roupas festivas gaúchas ou com uma Bíblia em guarani debaixo do braço. Não media esforços para estar na comunidade mais longínqua, seja de lambreta, de carro ou a cavalo. O mais importante era chegar para celebrar a fé com o povo migrante.

Iginio Benjamim Basso nasceu em 29 de junho de 1923, aos pés do Monte Grappa, na pequena comunidade de Fietta di Paderno del Grappa, Itália. Último de doze irmãos, dez homens e duas mulheres. Desde criança, gostava dos campos, das lavouras, dos animais e das montanhas. Em 1937, aos 14 anos, ingressou no Seminário Scalabriniano, onde permaneceu até seus 27 anos, quando foi ordenado sacerdote, tornando-se um padre missionário.

Designado para a América do Sul, chegou ao Brasil em novembro de 1950. Os primeiros três anos permaneceu no Rio Grande do Sul, depois foi enviado a Santa Catarina, onde ficou por 10 anos. A seguir, foi transferido a Passo Fundo, onde conheceu a cultura gaúcha, à qual, conforme suas palavras, “se converteu”. Em maio de 1974, foi enviado ao Paraguai para acompanhar os migrantes brasileiros, tornando-se oficialmente o primeiro Sacerdote Scalabriniano no Paraguai, pároco da Paróquia Santa Teresa, onde permaneceu até 1982. Ainda no Paraguai, também exerceu seu ministério sacerdotal em Corpus Christi, Santa Rosa del Monday e Los Cedrales. Entre idas e vindas, deixou o Paraguai definitivamente em 2012. No Brasil, foram dois lugares marcantes: Passo Fundo e Campos Novos, onde, somados, foi mensageiro do Evangelho por mais de vinte anos.

Como Missionário, deixou marcas nas comunidades por onde passou, mas também permitiu que a comunidade o enriquecesse com a sua fé e a sua cultura, abrindo-se ao encontro cristão com a comunidade. Aliás, seu desejo de se identificar com o povo o levou a aprender a dançar e a valorizar os momentos de festas da comunidade como uma expressão humana e cristã. A alegria do Evangelho não poderia ser anunciada com tristeza. No Paraguai, embora os destinatários primeiros fossem os migrantes brasileiros, respeitou e amou a cultura paraguaia e, além do espanhol, procurou aprender o guarani básico, pois sabia que a língua era a porta de entrada para a afetividade, onde poderia anunciar o Senhor. “Entre missas e fandangos, a fé se mantém viva, até os paraguaios aprenderam a dançar xote e vaneirão”, brincava com sua graça característica.

Pe. Benjamim renovou entre os Padres Scalabrinianos o convite a registrar as “aventuras missionárias” ao publicar o livro Quase morri 16 vezes, no qual relata, com bom humor, episódios de suas andanças — alguns deles graves e perigosos, outros hilariantes —, mas todos com a intenção de perceber a Providência de Deus que guia a história de cada ser humano.

Perguntado sobre o significado de ser um missionário, Pe. Benjamim respondeu:
“Há pessoas que dedicam a vida a isso: a ser missionários. Os Missionários são homens e mulheres que, movidos pelo Espírito Santo e pelo Senhor, deixam famílias, comunidades e suas terras natais para levar o testemunho da fé a seus irmãos e irmãs distantes. Superando barreiras de raça, idioma e nação que impedem as pessoas de se sentirem irmãos e irmãs. Os missionários abrem caminhos para o conhecimento mútuo, o respeito mútuo e a esperança de que um dia este mundo se tornará, de fato, um mundo de irmãos e irmãs”.

Alegria, festa, fé, confiança são palavras que definem algo da personalidade desse grande missionário, que, após 68 anos de missão no Brasil e no Paraguai, se retirou para a Casa São José, em Passo Fundo, onde faleceu poucos dias antes de completar 99 anos, em 5 de junho de 2022. O testemunho missionário do Pe. Benjamim Basso é um convite de animação vocacional, de fé e de alegria.

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Texto: Oscar Rúben Lopez Maldonado.

Foto: Arquivo Regional.

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