A efusão do Espírito Santo continua viva e atuante na vida dos cristãos por meio dos sacramentos, especialmente no Batismo e na Crisma. A mesma força do Espírito que transformou os Apóstolos no Cenáculo é comunicada à Igreja ainda hoje, tornando cada fiel participante da vida divina e da missão de Cristo. Segundo o Catecismo da Igreja Católica:

“Pelo Batismo, todos os pecados são perdoados (…), o batizado torna-se ‘nova criatura’, filho adotivo de Deus, participante da natureza divina, membro de Cristo e coerdeiro com Ele, templo do Espírito Santo.” (CIC, 1263-1265).

Desde os primeiros séculos, a Igreja compreendeu o Batismo como um verdadeiro nascimento no Espírito. O próprio Jesus anuncia isso a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus.” (Jo 3,5).

No Batismo, o Espírito Santo habita na alma do fiel, tornando-o filho de Deus e incorporando-o à Igreja. É o início da vida cristã, o primeiro “Pentecostes” pessoal. Assim como o Espírito pairava sobre as águas na criação do mundo (Gn 1,2), também nas águas batismais Ele realiza uma nova criação. Mas a vida cristã não termina no Batismo. A Igreja reconhece na Confirmação, também chamada de Crisma, a plenitude do dom do Espírito Santo.

A Confirmação completa a graça batismal; ela é o sacramento que dá o Espírito Santo, para nos enraizar mais profundamente na filiação divina, incorporar-nos mais solidamente em Cristo, tornar mais firme o laço que nos prende à Igreja, associar-nos mais à sua missão e ajudar-nos a dar testemunho da fé cristã pela palavra, acompanhada de obras.” (CIC, 1316).

A Crisma possui profunda ligação com Pentecostes. Se os Apóstolos já haviam seguido Jesus, foi somente após receberem o Espírito Santo que saíram em missão com coragem e autoridade. Do mesmo modo, o crismado é fortalecido para testemunhar a fé no mundo. O livro dos Atos dos Apóstolos mostra que a imposição das mãos era o sinal visível da transmissão do Espírito Santo: “Então Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.” (At 8,17).

Por isso, na celebração da Crisma, o Bispo unge o fiel com o óleo do santo crisma e pronúncia as palavras: “Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo.” Esse gesto recorda que o cristão é consagrado para a missão. A palavra “Cristo” significa “Ungido”, e todo batizado e crismado participa dessa unção espiritual.

Além do Batismo e da Crisma, toda a vida sacramental da Igreja é profundamente marcada pela ação do Espírito Santo. É Ele quem transforma o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia; quem concede o perdão dos pecados na Reconciliação; quem fortalece os enfermos; quem consagra ministros ordenados e santifica o matrimônio.

Pentecostes, portanto, continua acontecendo na vida da Igreja. Cada sacramento é um encontro real com Deus, no qual o Espírito Santo age para santificar, fortalecer e conduzir os fiéis à plenitude da vida cristã.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Foto: Adobe Stock.

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