A expressão escolhida como tema do Ano Vocacional Scalabriniano “Reaviva o dom de Deus que está em ti” é retirada da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo: “Por esta razão, te exorto a reavivar o dom de Deus que recebeste.” (2Tm 1,6). A exortação do Apóstolo dos Gentios nasce em um contexto de perseverança e fidelidade. São Paulo escreve a Timóteo para encorajá-lo a não deixar que o medo, o cansaço ou as dificuldades enfraqueçam a missão recebida.

Também hoje, muitos cristãos correm o risco de deixar a chama da fé enfraquecer em meio às pressões do mundo, às incertezas e ao ritmo acelerado da vida. Por isso, Pentecostes permanece atual: o Espírito Santo continua sendo fogo que ilumina, aquece e renova. São Lucas nos diz que próprio Jesus, durante a Santa Ceia, faz essa promessa:

“Ele disse-lhes: “Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder; mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até às extremidades da terra.” (At 1, 8).

Reavivar o dom significa redescobrir a graça recebida no Batismo, fortalecida na Crisma e alimentada pelos demais sacramentos. Significa também permitir que Deus reacenda no coração o desejo de santidade, serviço e missão. Em sua mensagem em ocasião da abertura do Ano Vocacional Scalabriniano, o Superior Geral da Congregação dos Missionários de São Carlos, Pe. Leonir Mário Chiarello, CS, enfatizou:

“O verbo usado por Paulo, ‘reavivar’, evoca precisamente esta imagem: a de uma chama que não se apagou, mas que deve ser reacendida para voltar a arder com força. É o fogo do primeiro encontro com o Senhor, daquele momento em que a sua voz encheu o coração de alegria, da graça acolhida através da Igreja e confiada à nossa liberdade. Reavivar o dom significa, portanto, voltar à fonte, renovar a relação com o Doador, reabrir as mãos diante de Deus e deixar-se, mais uma vez, alcançar pelo seu amor.”

Na espiritualidade cristã, o fogo é símbolo da presença divina. Em Pentecostes, o Espírito desce como línguas de fogo porque deseja transformar o interior humano. O fogo ilumina, aquece, purifica e impulsiona. Assim também faz o Espírito Santo na vida daqueles que se abrem à sua ação.

Reavivar o dom é voltar ao primeiro amor, renovar a vida de oração, escutar novamente o chamado de Deus e responder com coragem. No carisma scalabriniano, isso significa renovar o compromisso missionário junto aos destinatários da missão: migrantes, refugiados marítimos.

Pentecostes nos recorda que a Igreja nasce em saída. Os Apóstolos não permaneceram fechados no Cenáculo; foram enviados ao mundo. Também hoje, o Espírito Santo continua chamando discípulos missionários dispostos a anunciar o Evangelho. Por isso, celebrar Pentecostes é permitir que Deus reacenda a chama da vocação em cada coração.


Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.

Foto: Adobe Stock.

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