
Com a chegada do mês de maio, a Igreja se reveste de flores, cantos e preces voltadas àquela que é “Cheia de Graça” (Lc 1, 28): a Virgem Maria. Este tempo, conhecido como Mês Mariano, é tradicionalmente dedicado à Mãe Deus, e se constitui como um período especial de veneração, aprofundamento espiritual e devoção a Nossa Senhora.
A prática de dedicar o mês de maio a Maria remonta a Idade Média, e ganhou força sobretudo a partir do século XVII, impulsionado por ordens religiosas e confirmada ao longo dos séculos pelos Papas. São Paulo VI, na encíclica Mense Maio (1965), afirmou: “Neste tempo, mais do que em qualquer outro, os cristãos oferecem à Virgem Mãe súplicas e atos de piedade de modo mais fervoroso e amoroso”. Para o Santo Padre, maio é o tempo “em que os lares cristãos se tornam, por assim dizer, santuários marianos”.
Neste espírito, os Missionários de São Carlos – Scalabrinianos também se unem à Igreja de Cristo para homenagear Maria. E não por acaso. Nosso Santo Fundador, São João Batista Scalabrini, nutria um amor profundo por Nossa Senhora, a ponto de ser considerado um de seus maiores devotos. Em seus escritos, sermões e atitudes concretas, Scalabrini demonstrou que Maria era um de seus grandes amores.
Maria: Mãe e Medianeira para Scalabrini
Durante sua visita pastoral à América do Sul, passando pelo Brasil e pela Argentina, o Pai dos Migrantes aproveitou cada encontro com o povo para exaltar a figura de Maria como Mãe de Cristo e da Igreja. Em suas palavras, via-se o carinho de filho com Aquela que, por graça de Deus, também é a nossa Mãe.
Seu amor pelo título da Imaculada Conceição era tão intenso que estabeleceu sua festa, em 8 de dezembro, como data oficial para a profissão e renovação dos votos religiosos do Missionários Scalabrinianos. Ele escreveu: “Todos os anos, na festa da Imaculada Conceição de Maria, (...) todos os professos renovarão seus votos, precedidos por um dia de retiro espiritual” (Regula, 1895, n. 13).
Para São João Batista Scalabrini, Maria era “a pessoa mais sagrada, venerada aos olhos dos Apóstolos”, imagem viva de Cristo, que O refletia perfeitamente. Em uma homília na Solenidade da Assunção, em 1882, afirmou que os Apóstolos viam nela “o Espírito de seu Divino Mestre e quase espelhado, personificado Ele mesmo”.
O Rosário: Arma espiritual e gesto de amor
Outro aspecto forte da espiritualidade mariana de Scalabrini era o amor ao Santo Rosário. Ele o considerava meio eficaz para alcançar graças e crescer no amor de Deus e a Maria. Em outro discurso, enfatizou: “Por meio do Rosário, em todos os tempos, foram alcançadas graças extraordinárias e vitórias grandiosas.”
Ao meditar os mistérios do Rosário, Scalabrini convidava os fiéis a contemplar o amor de Deus revelado em Cristo e na fidelidade de Maria: “(...) meditando os mistérios, repetindo aquelas orações vocais, pensem no amor de Deus, de Jesus Cristo, de Maria.” (O Santo Rosário, 7-10-1894, AGS 3017/2).
Maria, Mãe dos Migrantes
Como fundador de uma Congregação Missionária dedicada aos migrantes, Scalabrini também via na Virgem Maria um modelo e intercessora para os que são forçados a deixar sua terra. Assim como Ela que, grávida, viajou até a casa de Isabel, sua prima, e depois teve que refugiar-se no Egito com seu Santo Esposo, José, e o Menino Jesus, Maria tornou-se sinal de acolhimento, proteção e consolo para todos os migrantes. São João Batista Scalabrini dizia que a Virgem Santíssima é a Medianeira entre Deus e os homens, e que sua intercessão é remédio para as doenças espirituais: “Quem poderá curar a ferida deste século desafiador? A compassiva Medianeira da paz e do perdão entre a natureza e a graça: a Virgem Maria.” (Placência, 1879). E, para que ninguém duvidasse de sua maternidade espiritual, o Pai dos Migrantes recordava as palavras do próprio Cristo na cruz: “Eis tua Mãe” (Jo 19,27). Palavras que atravessam os séculos e que continuam ecoando em nossos corações, especialmente neste mês de maio, quando a Igreja inteira se curva com ternura e confiança diante da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Com Maria, no caminho da missão
Celebrar o Mês Mariano é também renovar o compromisso missionário com o qual Maria viveu cada instante de sua vida. Como Mãe da Igreja, Ela nos acompanha no anúncio do Evangelho, nos ensina a escutar a Palavra, a servir com amor e a seguir Jesus até a cruz.
Inspirados por São João Batista Scalabrini, o “Pai dos Migrantes”, aprendamos com Maria a sermos missionários de acolhida, esperança e fé, especialmente junto aos migrantes e refugiados. Neste mês de maio, recitemos o Rosário, participemos da Santa Missa com fervor, e supliquemos à Mãe do Céu: Caminhe conosco, Mãe de Deus e nossa!
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, Setor de Conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Arquivo Regional da RNSMM.




