
Estudo mostra que número de migrantes internacionais quase dobrou em 30 anos, com aumento de deslocamentos econômicos e climáticos.
O número de migrantes internacionais continua a crescer em ritmo acelerado. Segundo o mais recente relatório do instituto de pesquisa Idos, apresentado em Roma, o mundo registrou em 2024 cerca de 304 milhões de migrantes internacionais, o equivalente a 3,7% da população global, quase o dobro de três décadas atrás. As informações são do portal Vatican News.
A Europa segue como principal destino (100 milhões), seguida pela Ásia (85 milhões) e pela América do Norte (79 milhões). A Itália reflete essa tendência, com 5,42 milhões de residentes estrangeiros, um aumento de 169 mil em apenas um ano, representando 9,2% da população total.
O documento mostra que o principal fator das migrações continua sendo econômico, mas cresce o número de deslocados por causas climáticas, que já somam 10 milhões de pessoas sem proteção oficial. A decisão recente do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, que reconheceu o direito de não repulsão para os afetados pela crise climática, foi considerada um avanço importante.
O relatório também denuncia o paradoxo europeu: embora necessite de mão de obra jovem, com três quartos das empresas relatando escassez de trabalhadores, o continente mantém políticas de rejeição e contenção migratória. Em 2024, foram registradas 240 mil travessias irregulares, 37% a menos que no ano anterior, mas ainda quase o dobro do período pré-pandemia.
Na Itália, o cenário é marcado por contradições: enquanto os estrangeiros são essenciais para o funcionamento das empresas e famílias, muitos ainda enfrentam estigmas e exploração laboral.
O relatório conclui que a migração continuará sendo um fenômeno estrutural do século XXI, pedindo respostas solidárias, justas e humanas.
Texto: Vitor da Cruz Azevedo, setor de conteúdo do Departamento Regional de Comunicação.
Foto: Adobe Stock.




